O naufrágio de um navio em São Tomé e Príncipe fez 11 desaparecidos, disse o presidente do governo regional do Príncipe, José Cardoso Cassandra.

Até agora, a informação que temos é de que foram resgatadas 50 pessoas, 11 estão desaparecidas”, disse José Cassandra.

O navio “Anfitriti” faz normalmente a ligação entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe, uma viagem que dura entre seis e oito horas, e naufragou às primeiras horas da manhã desta quinta-feira, já próximo da ilha de destino, com mais de 60 pessoas a bordo.

José Cassandra disse que todas as embarcações disponíveis se dirigiram para o local do naufrágio, incluindo o navio da Marinha portuguesa “Zaire”, que se encontra em ações de cooperação em São Tomé e Príncipe.

Uma fonte do “Zaire” disse à Lusa que mergulhadores do navio português foram mobilizados para participar nas operações de socorro.

O primeiro socorro às vítimas foi feito por barcos particulares, nomeadamente de pescadores.

Várias fontes contactadas pela Lusa suspeitam-se que o barco terá tombado por excesso de carga.

O navio zarpou do porto de São Tomé com destino à cidade de Santo António e adornou já perto da ilha do Príncipe, afundando-se em seguida.

O navio é habitualmente utilizado por residentes da ilha do Príncipe, que se deslocam à capital para fazer compras.

A ilha do Príncipe comemora a partir deste fim de semana a festividade d0 24.º aniversário da autonomia da região.

"Estamos todos muito preocupados e só temos é que lamentar mais um acidente trágico que está a acontecer no transporte marítimo de pessoas a bens para a Região do Príncipe", disse José Cassandra aos jornalistas.

José Cassandra acrescentou que o governo nacional está a “acompanhar a situação com preocupação”.

O presidente do governo regional encontra-se na capital do país, onde teve um encontro esta manhã com o ministro da Juventude, Desporto e Empreendedorismo, Vinício de Pina.

Este é terceiro acidente marítimo grave na ligação entre as duas ilhas. Há cerca de dois anos, o navio “Ferro-Ferro” desapareceu com pelo menos 12 passageiros e tripulantes, não se sabendo até hoje exatamente o que aconteceu.

Há cerca de dois meses, uma outra embarcação ficou à deriva no alto mar durante cerca de cinco horas, por falta de combustível, com mais de 51 passageiros a bordo.

"Pela primeira vez podemos chamar essa rota, uma rota de morte", considerou o presidente do governo regional, fazendo alusão a vários outros acidentes que ocorreram e que levaram a perda de várias vidas humanas e bens.

"Neste momento, o que interessa é fazermos tudo para salvar vidas e depois assacarmos as responsabilidades que são necessárias e tentarmos ver se pomos um ponto final de uma vez por todas com estes acidentes", acrescentou.