Centenas de mercenários russos que combatiam ao lado do marechal Khalifa Haftar foram retirados da frente de Tripoli e encontram-se em Bani Walid, a 170 quilómetros a sudeste da capital líbia, indicou o governo de acordo nacional (GAN).

O marechal Haftar, homem forte do leste líbio, conduz há mais de um ano uma ofensiva visando ocupar Tripoli (oeste), sede do GAN, reconhecido pela ONU. Mas o campo de Haftar sofreu vários reveses nas últimas semanas.

Neste contexto, segundo um comunicado das forças do GAN, “um avião de carga militar do tipo Antonov 32 aterrou em Bani Walid” para ajudar na retirada “dos mercenários (do grupo) Wagner para um destino desconhecido”.

Além disso, “sete aviões militares” chegaram a Bani Walid desde domingo “com munições e equipamento militar” e vão partir “com mercenários Wagner”, adianta o comunicado, segundo o qual “1.500 a 1.600 mercenários” no total se encontram atualmente nesta cidade.

Não foi possível de imediato confirmar a informação junto de uma fonte independente, indicou a agência France-Presse, adiantando que o campo de Haftar também não fez qualquer comunicação sobre o assunto.

Num vídeo divulgado pela emissora televisiva Libya al-Ahrar, sediada em Tripoli, podem ser vistos homens armados a subir para um avião militar semelhante a um Antonov 32 e um sistema de defesa antiaérea russa do tipo Pantsir na pista do aeroporto.

A Líbia mergulhou no caos após a queda do regime de Muammar Kadhafi em 2011 e dois poderes rivais disputam atualmente a liderança apoiados por diversos países estrangeiros.

Os Emirados Árabes Unidos e a Rússia apoiam o campo de Haftar, enquanto a Turquia intervém militarmente ao lado do GAN, que graças a este apoio e nomeadamente a uma superioridade aérea tem vindo a conseguiu algumas vitórias.

No sábado as forças do GAN recuperaram três importantes campos militares a sul de Tripoli e em meados de maio tinham conseguido apossar-se de uma importante base de retaguarda dos pró-Haftar, a base aérea de Al-Watiya, a 140 quilómetros a sudoeste de Tripoli.

Desde o início da ofensiva do marechal Haftar morreram centenas de pessoas e cerca de 200.000 foram obrigadas a deixar as suas casas.

Esta segunda-feira, no segundo dia das celebrações do Aid el-Fitr, que marca o fim do Ramadão, os habitantes de Tripoli voltaram a acordar com o som de explosões e de tiros de ‘rockets’, segundo a AFP.

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