A filha do fundador e diretora financeira da Huawei, expressou gratidão "à China e ao povo chinês" após o Canadá a ter libertado como parte de um acordo com as autoridades para suspender o julgamento de fraude.

Meng está agora, segundo a televisão estatal CGTN, num voo charter fretado pelo Governo chinês que poderá aterrar já à tarde na cidade de Shenzhen, a sede da companhia.

Meng expressou desde o voo a sua "gratidão" à China e ao povo chinês pela sua "ajuda e apoio" no regresso a casa.

"Sem uma pátria forte, eu não seria livre hoje", afirmou Meng, citada pela estação de televisão.

Meng disse que, nos últimos três anos, a sua vida tinha sido "virada do avesso", e que embora a sua detenção a tivesse afetado "como mãe, mulher e executiva", tinha sido também "uma experiência inestimável".

"Nunca esquecerei todos os bons votos que recebi de pessoas de todo o mundo. Mas quanto maior for a dificuldade, maior será o crescimento", disse.

A justiça dos EUA aceitou o acordo entre o Departamento da Justiça e a Huawei, que vai permitir à filha do fundador e diretora financeira do conglomerado chinês de telecomunicações regressar à China.

Uma juíza do tribunal federal de Brooklyn “aceitou” o acordo entre o Departamento da Justiça dos EUA e os advogados de Meng Wanzhou, que está no Canadá em detenção domiciliária há três anos e que a justiça dos EUA queria que fosse extraditada para a julgar no seu solo.

Em causa estavam acusações de mentira para contornar as sanções dos EUA ao Irão, o que lhe poderia determinar uma condenação a 30 anos de cadeia nos EUA.

Durante a anterior presidência norte-americana, Meng foi acusada de ter mentido para enganar bancos sobre as relações empresariais com o Irão e de ter coberto, através de uma empresa de Hong Kong, a Skycom, a venda de equipamento ao regime de Teerão, em violação das sanções norte-americanas.

O acordo alcançado designa-se por acusação diferida, no qual o acusado concorda com algumas condições em troca do que o Departamento de Justiça pode deixar cair o caso.

Reid Weingarten, um dos advogados de Meng, confirmou em mensagem de correio eletrónico a existência do acordo, mas não avançou detalhes, em particular sobre aquelas condições.

Mas sabe-se que o acordo contempla o adiamento até ao final de 2022 da eventual apresentação de acusações por “fraude bancária”.

Um representante do Departamento de Justiça propôs ao tribunal nova-iorquino o “adiamento”, até 01 de dezembro de 2022, quatro anos depois da deteção de Meng Wanzhou no Canadá, das acusações feitas no final de 2018 contra a dirigente da Huawei, designadamente por “conspiração” para cometer uma “fraude bancária”.

Se o acordo não for contestado ou rompido até àquela data, as acusações caem, segundo o representante do Departamento de Justiça.

Com a aceitação dos termos do acordo, acabam três anos de batalha judicial e diplomática entre Pequim, Washington e Otava.

O Governo do Candá anunciou sexta-feira que os dois canadianos detidos na China desde dezembro de 2018 como retaliação pela detenção de Meng Wanzhou, a principal responsável financeira da Huawei, foram libertados por Pequim.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou na sexta-feira à noite que Michael Spavor e Michael Kovrig foram libertados pelas autoridades chinesas e estão agora a caminho do Canadá.

Agência Lusa / HCL