Subiu para 40 o número de mortos na sequência da rotura de uma barragem em Brumadinho, Minas Gerais, no Brasil, segundo as últimas informações oficiais, atualizadas ao final da noite de sábado (hora de Lisboa). Foram sendo feitos balanço ao longo do dia, de dez para onze vítimas, depois para 34 e agora para quatro dezenas.

Pelo menos 81 pessoas estão desalojadas e 23 foram hospitalizadas. Continuam desaparecidas 296 pessoas, depois de o número ter ultrapassado as 400, devido à divulgação, por parte da empresa Vale, de uma lista de 412 trabalhadores desaparecidos. A chuva forte tem estado a complicar as operações de socorro, que serão retomadas às 04:00, hora local. 

Segundo o levantamento do governo de Minas Gerais, até ao momento foram resgatadas 366 pessoas, sendo 221 funcionários da empresa Vale e 145 subcontratados.

O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou hoje uma mensagem de condolências e solidariedade ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Para evitarem a rotura de uma segunda barragem, que pode complicar as operações de socorro, está a ser drenada a barragem 6 para evitar a sobrecarga.

A rotura da barragem causou, na sexta-feira, um rio de lama e de resíduos minerais, soterrando as instalações da empresa e destruindo diversas casas na zona.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, já considerou ser muito díficil resgatar pessoas com vida dos escombros.

A polícia, o corpo de bombeiros e os militares fizeram tudo para salvar os possíveis sobreviventes, mas sabemos que as hipóteses são mínimas e provavelmente apenas encontraremos os corpos”, disse o governador, que se deslocou para o local.

Há quase três anos, uma das barragens da empresa Samarco, controlada pelos acionistas Vale e BHP, rebentou na cidade de Mariana, no estado de Minas Gerais, originando uma torrente de lama que destruiu fauna, flora e construções ao longo de 650 quilómetros.

Este desastre causou 19 mortos, além de ter deixado desalojadas milhares de famílias.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MBA) considerou que a rutura da barragem em Brumadinho era uma “tragédia anunciada”, referindo que já tinha efetuado diversos alertas.

A organização não governamental salientou que, desde 2015, quando ocorreu uma tragédia semelhante na cidade de Mariana, também no estado de Minas Gerais, que tem vindo a alertar para os riscos na mina em que ocorreu o acidente na barragem e cuja ampliação foi aprovada apesar das advertências.

Desde 2015 que inúmeras denúncias foram efetuadas sobre o risco de rompimento de barragens do complexo em Brumadinho, mas mesmo assim teve a sua ampliação aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental em dezembro passado”, referiu a organização em comunicado.

 
Catarina Machado / com Lusa - notícia atualizada às 23:00