Representantes da farmacêutica Astrazeneca faltaram esta quarta-feira a uma reunião agendada com a União Europeia para discutir a quantidade de doses previstas para entrega aos Estados-membros.

De acordo com uma fonte oficial da União Europeia, Bruxelas continua a interrogar a empresa sobre os motivos que a levaram a reduzir em 60% as doses previstas para entrega na Europa nos primeiros quatros meses.

Em reação às afirmações vindas da União Europeia, a Astrazeneca negou que tenha cancelado a reunião.

Num pequeno comunicado acrescentou que o encontro continua marcado para a noite desta quarta-feira.

Fonte europeia confirmou à TVI que a Comissão Europeia solicitou à Astrazeneca tornar público o contrato com a farmacêutica (que é confidencial e necessita de acordo das partes para ser divulgado). Bruxelas quer que os cidadãos tirem as suas conclusões sobre se Astrazeneca está ou não a cumprir os termos do acordo para fornecimento de vacinas.

O contrato vale 336 milhões de euros e a União Europeia admite suspender os pagamentos faseados ou entrar numa (longa) batalha legal. Ainda assim, o foco é dialogar com a empresa e conseguir as vacinas.

No início de Dezembro tivemos indicação de alguns problemas mas na sexta-feira vimos uma quebra massiva [no fornecimento previsto]"; "o comportamento da AstraZeneca foi completamente diferente [em relação à Pfizer]. Precisamos de uma explicação muito clara", disse a fonte ao correspondente da TVI em Bruxelas, Pedro Moreira.

A reunião foi entretanto reagendada para esta quarta-feira à noite e acontece depois de a comissária europeia para a Saúde e Segurança Alimentar ter criticado os atrasos na entrega das vacinas contra a covid-19 da farmacêutica em coolaboração com a Universidade de Oxford.

Segundo a responsável, a União Europeia quer saber quantas doses foram produzidas pela empresa britânica até ao momento, pretendendo também saber a quem foram entregues.

As respostas da empresa não foram satisfatórias até agora. Uma segunda reunião está marcada para esta noite", revelou.

A vacina da Astrazeneca deve ser aprovada pelo regulador da União Europeia na sexta-feira, uma notícia inicialmente avançada pelo ministro da Saúde alemão.

Há duas vacinas que estão neste momento a ser avaliadas, as vacinas da AstraZeneca e da Janssen. Recebemos o pedido para comercialização da vacina da AstraZeneca a 11 de janeiro e prevemos a conclusão do processo no final desta semana, após a reunião do comité de medicamentos humanos”, declarou a diretora da Agência Europeia do Medicamento, Emer Cooke.

Falando numa audição por videoconferência na comissão parlamentar de Saúde Pública do Parlamento Europeu, a responsável apontou, ainda assim, estar ciente dos “problemas nas entregas das vacinas” anunciados pela AstraZeneca, esperando que “isso seja resolvido entretanto”.

Já quanto à vacina da Janssen, “ainda não existe um prazo para a sua aprovação”, acrescentou Emer Cooke.

De momento, estão a ser usadas na União Europeia (UE) as vacinas da BioNtech e Pfizer, que está a ser utilizada desde final de dezembro passado, e a da Moderna, em uso desde meados deste mês no espaço comunitário, ambas assentes na tecnologia do ARN mensageiro.

Henrique Magalhães Claudino Pedro Moreira / Atualizado ás 14:15