Os 42 reféns, incluindo 27 crianças, sequestrados há 10 dias numa escola no Centro-Oeste da Nigéria foram libertados, afirmaram hoje as autoridades, um dia após outro sequestro de 317 alunas no norte do país.

“Os alunos, professores e funcionários da Escola de Ciências de Kagara recuperaram a liberdade e são recebidos pelo governo local”, anunciou na rede social Twitter Abubakar Sani Belo, governador do estado de Níger

Em meados de fevereiro, homens armados atacaram esta escola secundária pública em Kagara, matando um aluno e levando consigo outros 27, três professores e 12 funcionários.

Os “bandidos”, como são designados pelas autoridades, aterrorizam as populações locais, realizam sequestros em massa para obter resgates, sequestram crianças de escolas, saqueiam aldeias e roubam gado.

Na sexta-feira, 317 raparigas que frequentam uma escola no estado de Zamfara também foram sequestradas nos dormitórios. A operação de resgate, composta por forças de segurança e moradores, está em curso.

O presidente Muhammadu Buhari, que tem sido criticado face à catastrófica situação de segurança no norte da Nigéria, garantiu na sexta-feira que "não iria ceder à chantagem dos bandidos”.

Alguns destes grupos têm fortes vínculos aos jihadistas do Nordeste.

União Europeia pede libertação das 317 alunas sequestradas

A União Europeia (UE) pediu a libertação “imediata e incondicional” das 317 alunas sequestradas na sexta-feira e salientou que os menores não devem “sofrer as consequências dos conflitos”.

A UE pede a libertação imediata e incondicional de todos os reféns, incluindo os alunos de Kankara sequestrados há mais de uma semana e as centenas de raparigas sequestradas na sua escola em Jangebe, estado de Zamfara”, declarou o Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Josep Borrel.

Em comunicado, Josep Borrel salientou que os menores “não devem sofrer as consequências dos conflitos”, mas “devem ser protegidos, pois têm um papel chave na construção de um presente e futuro em que a paz prevaleça”.

O Alto-comissário sublinhou que o “recente aumento de sequestros e ataques massivos no noroeste e centro da Nigéria causa medo e prejudica os mais vulneráveis da população, as crianças e mulheres”.

O desaparecimento de alunos e os ataques contra as escolas converteram-se na marca registada dos bandidos, grupos criminais e grupos armados não estatais que operam na região”, afirmou o ex-ministro espanhol.

Josep Borrel acrescentou que os grupos “atacam de forma indiscriminada os jovens, os inocentes e os vulneráveis por meio de sequestro para obter resgates, assassinato e roubos impulsionados por motivos financeiros e pelo desejo de semear o medo”.

A UE está “preparada” para colaborar com as autoridades nigerianas e outros parceiros internacionais “para ajudar a proteger os civis de semelhante terror”, assegurou.

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