O ginecologista congolês Denis Mukwege, prémio Nobel da Paz (2018), recebeu novas ameaças de morte depois de ter criticado a impunidade após o massacre de mil civis pelo exército ruandês no seu país há 22 anos.

Nas últimas semanas, Mukwege tem sido alvo de uma campanha de intimidação nas redes sociais e ameaças de morte no seu telemóvel através de mensagens de texto do Ruanda. Fontes próximas do médico não identificadas confirmaram hoje à agência Efe que o prémio Nobel da Paz, distinguido em 2018 juntamente com a ativista Yazidi Nadia Murad, voltou a receber ameaças de morte.

O general James Kabarebe, ex-ministro da Defesa ruandês e conselheiro do Presidente do Ruanda, Paul Kagame, denunciou mesmo o médico na televisão estatal ruandesa, segundo a organização Médicos para os Direitos Humanos (PHR, na sigla em inglês).

A 24 de Agosto de 1998, quase mil pessoas foram massacradas em Kasika, uma aldeia na província do Kivu Sul, onde vive o médico, no nordeste da República Democrática do Congo (RDCongo).

A maioria das vítimas eram crianças e mulheres, que também foram violadas.

Este, um de vários massacres cometidos contra a população civil no nordeste do Congo, consta da lista de crimes que a Organização das Nações Unidas (ONU) se propôs investigar em 2005, enviando pela primeira vez uma equipa de peritos em direitos humanos, no âmbito do chamado projeto "Mapeamento".

Mukwege apela à ONU para que finalmente estabeleça a responsabilidade por estes crimes, numa declaração enviada à agência Efe pela oficial de comunicações do cirurgião, Maud Salome.

A partir da cidade de Bukavu, onde o ginecologista trabalha no Hospital Panzi, a ONG Justiça Humanitária para Todos (JHT) apelou à ONU para proteger o médico, bem como a ecoar o apelo de Mukwege por forma a que venha a ser criado um tribunal especial da Organização das Nações Unidas para julgar os crimes cometidos na RDCongo.

/ AM