Ovidio Guzmán López, um dos filhos de El Chapo, antigo líder do cartel de Sinaloa, foi preso pela polícia mexicana, mas acabou por ser libertado pelas autoridades perante os confrontos violentos que se seguiram à detenção e que deixaram em estado de sítio a cidade de Culiacán, a cerca de 600 quilómetros da Cidade do México. 

Citado pela imprensa, o ministro da Segurança do México, Alfonso Durazo, explicou que uma patrulha da Guarda Nacional, polícia militar mexicana, foi atacada durante uma operação de rotina. O ataque veio de uma habitação onde a polícia acabou por conseguir entrar, tendo ali detido o filho de El Chapo. Porém, rapidamente os atiradores do cartel começaram a a disparar armas automáticas, organizando-se em barricadas nas ruas, razão pela qual a polícia decidiu libertar o filho de El Chapo, evitando a continuação da resposta violenta da organização criminosa.

As autoridades mexicanas acreditam que Ovidio Guzmán López, de 28 anos, assumiu um papel preponderante no cartel de Sinaloa desde a detenção do pai, que foi condenado a prisão perpétua nos Estados Unidos. 

Foi tomada a decisão de retirar da casa, sem Guzmán, para tentar evitar mais violência na área e preservar as vidas dos nossos agentes e restaurar a calma na cidade", disse o ministro mexicano. 

Segundo o The Guardian, os primeiros rumores davam conta de que as trocas de tiros tinham sido motivadas pela detenção de outro dos filhos de El Chapo, Iván Archivaldo Guzmán Salazar, mas não foi possível confirmar se este chegou a estar sob custódia das autoridades.

 

Ovidio Guzmán López, aquele que se sabe que foi efetivamente detido e depois libertado,  é um dos quatro filhos do segundo casamento de El Chapo, que foi casado mais duas vezes e terá pelo menos mais seis filhos. Ovidio, tal como o seu irmão mais velho, Joaquín Guzmán López, foi acusado no passado mês de fevereiro de tráfico de cocaína pelo departamento de Justiça dos Estados Unidos. 

De acordo com a BBC, na quinta-feira, a zona comercial de Culiacán assemelhava-se a um campo de guerra, com carros incendiados e um forte dispositivo policial no local, que trocava tiros com os membros do cartel. Estes, tinham as armas à vista de todos, instalados em carrinhas de caixa aberta para garantirem melhor visibilidade dos alvos. Os confrontos semearam o pânico entre os habitantes da cidade, agravado pelo facto de vários reclusos terem aproveitado a violência generalizada para fugirem da cadeia local, criando o caos nas ruas. 

 

As autoridades do Estado mexicano de Sinaloa garantiram entretanto estar a trabalhar para "restaurarem a paz e a ordem perante os incidentes de grande impacto que ocorreram nas últimas horas em vários pontos de Culiacán" e pediram aos residentes para que se mantivessem calmos e evitassem sair à rua. 

Em 2008, recorda o Guardian, o homicídio de outro dos filhos de El Chapo, Edgar Guzmán López, num parque de estacionamento também da cidade de Culiacán, deu origem a uma oposição violenta entre El Chapo e os seus antigos aliados do cartel dos Beltrán Leyva, conflito que se arrastou por vários anos.