Várias pessoas ficaram hoje feridas numa explosão junto à catedral católica de Makassar, na Indonésia, disse a polícia, que indicou suspeitar que a deflagração foi produzida por uma bomba.

"Houve uma explosão e suspeitamos que foi produzida por uma bomba", declarou o porta-voz da polícia das Celebes do Sul, E. Zulpan, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Encontrámos pedaços de corpos humanos e estamos a averiguar se pertencem a possíveis atacantes ou a pessoas que se encontravam nas proximidades. Vários feridos foram hospitalizados", disse.

A polícia nacional indonésia acredita que há dois bombistas envolvidos, depois de a polícia local ter apontado apenas para um suspeito, segundo a agência Reuters.

Pelo menos 14 pessoas ficaram feridas na explosão, indicou um porta-voz da polícia nacional, adiantando, ainda, que a unidade de contra-terrorismo está já a investigar a que rede terrorista pertenciam os atacantes.

Os feridos incluem pedestres que estavam próximos da catedral, bem como fiéis que assistiam à missa.

A explosão ocorreu quando a missa terminou na catedral do Sagrado Coração de Jesus, sede da arquidiocese de Makassar, no sul da ilha das Celebes.

Vários veículos ficaram danificados em torno do edifício, à volta do qual a polícia criou um cordão de segurança, de acordo com um fotógrafo da AFP no local.

Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), pelo menos um bombista suicida fez-se explodir à porta da catedral, quando a missa de Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa, terminou.

As igrejas católicas têm sido alvo de ataques extremistas na Indonésia, o maior país muçulmano do mundo.

Em maio de 2018, uma família de seis pessoas fez-se explodir contra três igrejas em Surabaya, a segunda maior cidade indonésia, matando pelo menos uma dezena de fiéis.

No mesmo dia, uma segunda família detonou, aparentemente por acidente, uma bomba num apartamento e no dia seguinte, uma terceira família cometeu um atentado suicida contra uma esquadra.

Estes atentados, que causaram ao todo, entre vítimas e atacantes, 28 mortos, foram os mais mortíferos em mais de uma década no arquipélago.

As três famílias estavam ligadas ao movimento radical Jamaah Ansharut Daulah (JAD), que apoia o grupo extremista Estado Islâmico (EI) e que reivindicou os ataques.

A tradição de tolerância da Indonésia tem sido posta à prova nos últimos anos, por um desenvolvimento de correntes islâmicas conservadoras e muitas vezes radicais, pondo em perigo a coexistência religiosa com minorias religiosas cristãs, budistas e hinduístas.

Presidente indonésio condena atentado

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, condenou hoje o atentado contra a catedral católica na ilha de Celebes.

Condeno energicamente estes atos de terrorismo e pedi ao chefe da polícia que investigue a fundo os culpados e descubra as redes responsáveis [pelo ataque]”, afirmou Joko Widodo, num comunicado emitido poucas horas depois do atentado.

O chefe de Estado frisou que o terrorismo é um crime contra a humanidade e que não tem nada que ver com a religião.

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