Uma organização não-governamental birmanesa indicou hoje que o número de mortos em Myanmar aumentou para 423, na sequência da violência militar e policial contra manifestantes em protesto contra o golpe de 1 de fevereiro.

O balanço anterior da Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP) era de 328 mortos, mas o número de vítimas mortais subiu no sábado, na sequência da repressão de manifestações em pelo menos 40 localidades nas regiões de Rangum, Bago, Magway, Sagaing, Tanintharyi e Ayeryawady, bem como nos estados de Mon, Kachin e Shan.

Em relatório, a ONG disse ter verificado a morte de pelo menos 90 pessoas, incluindo seis crianças de entre 10 e 16 anos, mas reconheceu que o número de mortos "é provavelmente muito mais elevado". Sábado foi o dia mais sangrento desde o início da repressão contra os manifestantes.

De acordo com um órgão de comunicação social local, Myanmar Now, pelo menos 116 pessoas foram mortas no sábado, enquanto na capital, Naypyidaw, o exército birmanês assinalava o dia das forças armadas com um desfile militar.

Num balanço anterior, o Myanmar Now tinha referido que pelo menos 91 pessoas foram mortas no sábado.

Os militares tomaram o poder em 1 de fevereiro por alegadas fraudes nas eleições de novembro passado, vencidas pelo partido de Aung San Suu Kyi. A prémio Nobel da Paz foi deposta pelos militares e detida juntamente com grande parte do Governo civil.

Desde o golpe, a junta militar já prendeu mais de três mil pessoas.

Líderes militares de 12 países condenam violência

Os chefes de Estado-Maior de 12 países ocidentais condenaram, no sábado, o uso de "força letal contra pessoas desarmadas" pelo exército de Myanmar, de acordo com um comunicado comum.

"Enquanto chefes de Estado-Maior, condenamos o uso de força letal contra pessoas desarmadas pelas forças armadas da Birmânia e os serviços de segurança associados", indicaram os 12 responsáveis, na mensagem difundida pelo Pentágono.

Estes militares pediram ao exército birmanês que "ponha fim à violência e trabalhe para restaurar o respeito e a credibilidade perdidos junto do povo birmanês devido às suas ações".

"Militares profissionais devem seguir os padrões internacionais de conduta e são responsáveis pela proteção - e não pelo dano - do povo que servem", salientaram os líderes da Defesa daqueles países: Alemanha, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, Grécia, Itália, Japão, Nova Zelândia, Países Baixos e Reino Unido.

/ CM