O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) estima em 168.219 o número de pessoas afetadas pelo ciclone Kenneth, na província moçambicana de Cabo Delgado, segundo os últimos dados hoje disponibilizados, que mantêm cinco vítimas mortais.

As famílias afetadas são 35.290, segundo o ponto de situação que usa dados preliminares de sábado.

Quanto a danos, o INCG atualiza as casas totalmente destruídas para 3.895 e as parcialmente destruídas para 31.305.

Sofreram ainda danos 75 salas de aula, afetando 3.909 alunos, cinco unidades sanitárias, duas pontes e 22 postes de média tensão e 34 postes de baixa tensão.

Sobre a assistência humanitária, a INGC diz que há 4.284 pessoas vulneráveis nos centros de acomodação.

Quanto aos meios alocados, há 230 especialistas humanitários, três helicópteros, 10 barcos, 15 camiões, uma avioneta, 15 telefones satélite e três drones.

Ainda decorrem levantamentos em zonas mais remotas.

Cheias submergem estrada que liga capital do Norte ao resto do país

A principal estrada de ligação de Pemba ao resto de Moçambique está cortada depois de as cheias na região, após o ciclone Kenneth, terem criado uma corrente que cobre quase um quilómetro da via.

A chuva forte da madrugada e manhã de hoje na região da capital provincial de Cabo Delgado, Norte do país, encheu rapidamente uma zona baixa de três hectares de pastagens ao lado da Estrada Nacional 1 (EN1), a cerca de 15 quilómetros da cidade.

O lago que ali se criou transbordou por cima da via para um campo mais baixo que se situa do outro lado do asfalto.

O pavimento da estrada permanece intacto, apesar de sinais de erosão do talude que o sustenta.

A corrente que cobriu a estrada formou-se pela manhã e tem estado a abrandar durante a tarde.

Do lado a leste, à saída de Pemba, a polícia impede que, por prevenção, os carros se aproximem da zona coberta pela água, mas do lado oeste os veículos que querem entrar na capital provincial tentam a sua sorte.

À vez, cada qual tem atravessado a corrente, lado a lado com pessoas que, carregadas com bagagens ou com bebés de colo, fazem a travessia a pé.

"Foi difícil, mas não tem outro jeito", referiu Belinha Cipriano, depois de enfrentar a corrente com bagagens e a filha, Luísa, enrolada numa capulana (tecido) entre os braços.

"Já tinha visto isso assim antes, em 2002", recorda Armando Amade, que se desloca para Pemba porque um filho tem a casa inundada, no bairro de Natite.

A cidade também foi palco de cheias repentinas nas zonas ciclicamente mais afetadas após a chuva da manhã de hoje.

As previsões apontam para um abrandamento da precipitação em Pemba e fonte ligada às autoridades disse à Lusa que se espera que a corrente que está a submergir a EN1 desapareça nas próximas horas, assim que os níveis pluviométricos foram reestabelecidos.

O ciclone Kenneth dissipou-se no sábado, mas semeou chuva com intensidade em diversas zonas das províncias de Cabo Delgado e Nampula que ainda deverão prolongar-se pelos próximos dias e com alertas para as bacias de vários rios da região.

Pemba tinha escapado à entrada do ciclone em terra, na quarta-feira, mas o pior por acabou por chegar hoje.

O ciclone Kenneth foi o primeiro, desde que há registos, a atingir o Norte de Moçambique.

O ciclone dissipou-se no sábado, mas semeou chuva com intensidade em diversas zonas das províncias de Cabo Delgado e Nampula que ainda deverão prolongar-se pelos próximos dias e com alertas para as bacias de vários rios da região.

Pemba, capital de Cabo Delgado, tinha escapado à entrada do ciclone em terra, na quarta-feira, mas o pior por acabou por chegar hoje.

No último ano, a época das chuvas tinha deixado cerca de mil famílias sem abrigo na província de Cabo Delgado, segundo dados do INGC.