A rota migratória do Atlântico é, provavelmente, a mais desconhecida, mas também a mais perigosa e mortífera. Em 2020 voltou a registar-se um enorme fluxo de pessoas que partiram em frágeis embarcações de madeira desde vários locais de África, mas nomeadamente de Marrocos, do Sahara Ocidental, da Mauritânia e do Senegal. A maioria é resgatada no meio do Oceano, depois de dez dias no mar. Muitos acabam por morrer.

Só nos últimos dois anos foram milhares as pessoas que chegaram a várias ilhas das Canárias, como El Hierro, Fuerteventura e, sobretudo, a Gran Canária. O sistema de resgate espanhol deteta as embarcações no mar e encaminha-as para o Porto de Arguineguín, já apelidado de “porto da vergonha”.

Perante este drama real, a TVI foi à procura de respostas. As equipas de reportagem visitaram o Senegal, a Gran Canária e Tenerife, testemunhando a realidade que acontece todos os dias. O que leva tantas pessoas a abandonar o seu país, arriscando a vida no mar, para muitas vezes chegarem à Europa e serem forçados a permanecer durante meses em centros de acolhimento precários, enfrentando ambientes de discriminação e violência. Sem infraestruturas suficientes para acolher tantas pessoas, o estado espanhol viu-se forçado a pedir a ajuda a hoteleiros para receberem migrantes, enquanto recuperava instalações militares desativadas para as converter em centros de acolhimento, mas a resposta é insuficiente e as autoridades locais apelam à solidariedade da União Europeia.

A Crise Migratória é o primeiro dos seis temas que integram a série de reportagens “Destino: Europa”. Para o efeito foi criado também um podcast associado ao projeto sobre os desafios que os dois jornalistas (Filipe Caetano e Inês Tavares Gonçalves) encontraram na visita às Ilhas Canárias e durante o processo de produção e concretização do tema. Poderá subscrever e ouvi-lo aqui:

Esta reportagem foi cofinanciada pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu para a área da comunicação. O Parlamento Europeu não esteve envolvido na sua preparação e não deverá ser, em momento nenhum, responsável ou vinculado pelas informações ou opiniões expressas. De acordo com a legislação aplicável, os autores, entrevistados, editores ou emissores do Destino: Europa, são os únicos responsáveis pela reportagem. O Parlamento Europeu também não poderá ser responsabilizado por danos diretos ou indiretos que possam resultar da sua execução.