Um avião que levava 77 pessoas a bordo, incluindo a equipa de futebol brasileira Chapecoense, despenhou-se na noite de segunda-feira, na Colômbia, perto do aeroporto internacional da cidade colombiana de Medellín. O último balanço oficial, da Autoridade Aérea colombiana dá conta de seis sobreviventes. A tragédia terá feito, assim, 71 mortos.

A lista de passageiros tinha 81 pessoas, mas as autoridades confirmaram que quatro não embarcaram.

O central do Chapecoense Hélio Neto foi a última pessoa a ser encontrada com vida, numa altura em que as autoridades já não esperavam encontrar sobreviventes.

A lista de sobreviventes inclui ainda o guarda-redes suplente Jackson Follmann, de 24 anos, e o lateral Alan Ruschel, de 27 anos, além da assistente de bordo Ximena Suarez Otterburg, do técnico do avião Erwin Tumiri e do jornalista Rafael Henzel.

O jogador Danilo tinha sido resgatado com vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

Danilo e Alan Ruschel, jogadores do Chapecoense

O autarca da cidade de La Ceja, Elkin Osorio, disse que as equipas de resgate recuperaram já 25 corpos.

Segundo um comunicado da Aeronáutica Civil da Colômbia, "uma aeronave procedente da Bolívia da empresa Lamia, com matrícula CP2933 RJ 80, acidentou-se em Cerro El Gordo, nas proximidades do município de La Unión, Antioquia", com nove tripulantes e 72 passageiros a bordo.

O diretor da autoridade aérea revelou, entretanto, que o avião não tinha combustível, uma informação que pode ir ao encontro de uma das hipóteses avançadas pela imprensa colombiana de que o piloto teria retirado todo o combustível para que o aparelho não explodisse. No entanto, a ausência de combustível nos tanques também podem indicar que faltou combustível para terminar a viagem. Alfredo Bocanegra afirmou também há instantes que as autoridades estão a recolher dados para a investigação e que durante o dia deverão dispor de mais informações sobre as causas desta tragédia.

A equipa brasileira ia disputar, na quarta-feira, com os colombianos do Atlético Nacional a final da Taça Sul-Americana de futebol.

"Confirmado. A aeronave com a matrícula CP2933 transportava a equipa @ChapecoenseReal. Parece que há sobreviventes", escreveram as autoridades aeroportuárias de Medellín no Twitter.

O avião tinha saído da Bolívia e, pelas 22 horas locais, terá contactado a torre de controlo para alertar que estava em situação de emergência devido a falhas elétricas, quando voava entre as cidades colombianas de La Ceja e La Unión, a cerca de 50 quilómetros de Medellín, onde deveria aterrar.

#Atención | Primeras imágenes del avión siniestrado. pic.twitter.com/w8QzhfQ1Ee

O mais recente comunicado das autoridades aeroportuárias indica que, das 81 pessoas a bordo, 22 eram futebolistas, 28 acompanhantes ou staff técnico, 22 jornalistas e nove elementos da tripulação. Os nove tripulantes do avião acidentado eram bolivianos

Boeck escapa, final suspensa e três dias de luto

O antigo guarda-redes de Sporting e Marítimo, Marcelo Boeck, é jogador do Chapecoense, mas não estava a bordo do avião que se despenhou. De acordo com o seu empresário, em declarações à TSF, Boeck tinha pedido dispensa do jogo para poder celebrar o seu aniversário.

A Confederação Sul-Americana de Futebol decidiu nesta terça-feira suspender todos jogos depois da queda do avião.

A autoridade máxima do futebol sul-americano indicou, num comunicado, que "até novo aviso" ficam suspensas todas as suas atividades e que o presidente da confederação, Alejandro Domínguez, está a caminho de Medellín, cidade para onde se dirigia o avião, para acompanhar a situação.

A equipa brasileira ia disputar, na quarta-feira, com os colombianos do Atlético Nacional a primeira mão da final da Taça Sul-Americana de futebol.

O Governo do Brasil decretou hoje luto de três dias pela queda do avião que transportava a equipa do Chapecoense.

Michel Temer assegurou, igualmente, que o Brasil usará todos os meios disponíveis para auxiliar os familiares dos jogadores da Chapecoense.

"Estamos colocando todos os meios para auxiliar familiares e dar toda a assistência possível. A Aeronáutica e o Itamaraty já foram acionados. O Governo fará todo o possível para aliviar a dor dos amigos e familiares do desporto e do jornalismo nacional", escreveu, ainda, na rede social Twitter.

"Nesta hora triste que a tragédia se abate sobre dezenas de famílias brasileiras, expresso minha solidariedade", manifestou.