Um truque de magia que David Copperfield conseguiu manter em segredo durante anos foi desvendado em tribunal na última sexta-feira, na primeira sessão do julgamento que opõe um turista britânico ao famoso mágico norte-americano.

Gavin Cox, de Kent, Inglaterra, processou David Copperfield por lesões sofridas, inclusive cerebrais, durante um espetáculo de magia, em 2013, num dos maiores casinos de Las Vegas, quando foi selecionado de entre o público para subir ao palco… e desaparecer.

O queixoso, que entrou com o processo apenas em 2014, alega ter gasto mais de 400 mil dólares em despesas médicas.

Na audiência foi possível ficar a conhecer todos os momentos do famoso truque “Lucky #13.”, em que 13 elementos do público escolhidos ao acaso desaparecem do palco e reaparecem no fundo da sala do MGM Grand casino-resort. Pelo caminho são obrigados a percorrer vários corredores abaixo de terra, espaços exíguos e escuros, sempre sob a pressão dos produtores para que acelerem o passo. 

Para o juiz, a decisão de revelar como se processa o truque foi simples: quando tantos anónimos participam num truque pouco de segredo resta ao mesmo.

Na noite de 12 de novembro de 2013, Gavin Cox, 58 anos, alega ter escorregado e caído durante o obscuro percurso até ao reaparecimento, no qual, garante, não via o chão, sentia o pó quando respirava e detritos cada vez que pousava um pé.

Para a defesa do britânico, o “13” era “um acidente à espera de acontecer”, “claramente perigoso”, apesar de o seu cliente nunca ter sido alertado para a possibilidade de se magoar durante o que classificou, ainda, como um “caos” atrás do pano.

Pelo contrário, ele e possivelmente todos os outros participantes tinham uma expectativa de segurança. O sr. Cox pensou para si: ‘Vai correr tudo bem. Porque haveria David Copperfield, que é tão famoso, selecionar-me e não me proteger’”, afirmou o advogado do queixoso, Benedict Morelli.

Gavin Cox, contou, atravessou vários corredores, chegou à rua e voltou a entrar, até que caiu e magoou-se.

Uma simplicidade de argumento que o advogado do MGM, Jerry Popovich, refutou, considerando, simplesmente, que o britânico “não escorregou, tropeçou” e que as passagens eram bem claras. Popovich disse ainda que dez minutos antes da queda de Cox o próprio David Copperfield fez o mesmo trajeto no decorrer de um outro truque e que o mágico não detetou qualquer problema.

Gavin Cox foi transportado ao hospital com um ombro deslocado, que. segundo a defesa, mais tarde lhe viria a causar dor crónica, além de os médicos terem detetado uma lesão ao nível do cérebro. Tudo somado, terá gasto cerca de 400 mil dólares em despesas médicas, contabilizou.

O advogado de Copperfield fez, contudo, questão de sublinhar que até à data nenhum dos outros 55 mil participantes no truque se queixaram dos procedimentos ou estiveram envolvidos em algum incidente.

O julgamento prossegue sem que o valor do pedido de indemnização em cima da mesa tenha sido revelado.

Catarina Machado