Na Venezuela há mais um momento de alta tensão. Juan Guaidó fez um apelo ao povo e aos militares venezuelanos e diz que está em curso a fase final do seu plano para tirar Nicolás Maduro do poder.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, diz que os militares estão do seu lado e pede aos venezuelanos que saiam à rua. Uma mensagem deixa no Twitter do próprio:

Antes, num vídeo, Guaidó apela para que cessasse em definitvo usurpação de poder.

Centenas de venezuelanos começaram a cortar as ruas de Caracas para mostrar apoio a Juan Guaidó.

As forças de segurança da Venezuela leais ao Governo de Nicolás Maduro lançaram, entretanto, gás lacrimogéneo contra Guaidó e os militares que o acompanham no levantamento contra o regime.

As bombas de gás lacrimogéneo caíram no leste de Caracas, perto do local onde se encontra Guaidó, também presidente do parlamento venezuelano.

Ao local acorreram dezenas de simpatizantes de Guaidó após o apelo do opositor à população para apoiar o levantamento.

Entretanto a agência Efe noticia que pelo menos uma pessoa ficou ferida por causas ainda desconhecidas frente à base militar venezuelana de La Carlota.

No Twitter, Nicolás Maduro reagiu pedindo "nervos de aço" para resistir ao golpe.

Entretanto, Leopoldo López, antigo líder da oposição ao chavismo, que se encontrava em prisão domiciliária há cinco anos, foi libertado. Há pouco López falava nas ruas aos jornalistas, depois de também ter postado na sua página na rede Twitter que "Venezuela: tinha iniciado a fase definitiva para cessar a usurpação, a "Operação Liberdade". Fui libertado por militares ao serviço da Constituição e do Presidente Guiadó. Estou na Base de La Carlota. É hora de conquistar a liberdade. Força e Fé."

O dirigente da oposição assegurou que o grupo de políticos e militares que se rebelou esta madrugada contra o presidente Nicolás Maduro manteve contactos com altos responsáveis governamentais.

Claro que sim, com diversos setores civis e militares”, respondeu López aos jornalistas ao ser questionado se existiam contactos entre a oposição e funcionários do Governo que pretendem distanciar-se de Maduro.

Tem sempre existido comunicação e isso está relacionado com o processo que tem vindo a ser construído”, acrescentou.

Citado pela agência Reuters, o ministro a Defesa da Venezuela, assegurava que as Forças Armadas continuavam "firmes na defesa da Constituição Nacional e das autoridades que estão legitimamente no poder." Mas antes disse que o Governo rejeitava "esta tentativa de golpe que envolve o país em violência."

No Twitter, o ministro Jorge Rodriguéz, que entre outras tem a pasta da Comunicação do governo de Maduro, disse que, "no momento, estamos a enfrentar e desativar um reduzido grupo de militares traidores que se posicionaram (...) para promover um Golpe de Estado contra a constituição e paz da República."

Segundo Jorge Rodríguez "a esta tentativa" de golpe "uniu-se a ultradireita golpista e assassina, que anunciou a sua agenda violenta desde há meses".

Pedimos ao povo para se manter em alerta máximo para, junto com as gloriosas Forças Armadas Bolivariana, derrotar esta tentativa de golpe e preservar a paz. Venceremos", frisou.

Entretanto, segundo a The Associated Press (AP), o líder socialista venezuelano, Cabellos, terá pedido aos partidários do governo que se unam no palácio presidencial para defender Maduro do que diz ser uma pequena revolta de soldados militares traidores apoiados pelos EUA.

A AP refere ainda que os comentários foram feitos ao telefone e emitidos na televisão estatal. Cabello minimizou o significado da rebelião, assegurando que a capital, Caracas, está calma e que a base aérea de Carlota, perto de onde os soldados rebeldes estão reunidos, não foi tocada.

 

UE acompanha desenvolvimentos sem fazer para já comentários

A União Europeia (UE) está a acompanhar o desenvolvimento da situação na Venezuela e abstém-se "para já" de fazer qualquer comentário, disse hoje a porta-voz comunitária para os Negócios Estrangeiros, Maja Kocijancic, citado pela Lusa.

Questionada sobre a evolução da situação, a porta-voz da Alta Representante para a Política Externa da UE, Federica Mogherini, adiantou que a informação está a ser acompanhada pela UE e “para já” não haverá qualquer reação europeia sem se conhecerem todos os detalhes.

Reiteramos a nossa posição de apoiar uma solução política e pacífica para a crise na Venezuela, nomeadamente com a organização de eleições livres”, disse Kocijancic.

A porta-voz salientou que decorrem contactos com os Estados-membros e entre as instituições europeias e confirmou os dias 06 e 07 de maio como a data prevista para a reunião do Grupo de Contacto para a Venezuela, a nível ministerial na Costa Rica, e na qual Mogherini participará.

Espanha pede que seja evitado derramamento de sangue

Já o Governo de Espanha expressou hoje apoio ao “processo democrático pacífico” na Venezuela, desejando que não ocorra “derramamento de sangue”, referindo-se ao apelo de Guaidó dirigido aos militares.

A porta-voz do governo de Pedro Sánchez, Isabel Celáa, afirmou, numa conferência de imprensa, que o Executivo de Madrid desconhecia os movimentos do presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

A porta-voz era questionada na conferência de imprensa do Conselho de Ministros depois de Juan Guaidó - reconhecido como presidente interino da Venezuela por meia centena de Estados - ter anunciado que “a família militar deu, de uma vez por todas, o passo” para o “fim definitivo da usurpação” que Nicolás Maduro faz do governo de Caracas.

Celaá assinalou que Espanha defende a realização imediata de eleições na Venezuela e acrescentou que Pedro Sánchez acompanha de perto os acontecimentos no país.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, apelou hoje a uma solução pacífica na Venezuela.

Politicamente, Portugal mantém o apoio a uma solução pacifica e política na Venezuela, que do nosso ponto de vista passa necessariamente pela convocação de novas eleições", afirmou à agência Lusa, em Xangai, Santos Silva.

Organização dos Estados Americanos apoia adesão do exército e pede processo pacífico

Já o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, saudou hoje “a adesão” do exército venezuelano ao autoproclamado Presidente deste país, Juan Guaidó, e defendeu um processo de transição pacífico.

Almagro reagia assim ao “fim definitivo da usurpação” anunciado hoje por Guaidó, que assegurou que os militares decidiram juntar-se-lhe para restaurar a democracia na Venezuela.

Saudamos a adesão dos militares à Constituição e ao Presidente executivo da Venezuela. É preciso que o processo de transição seja feito de forma pacífica”, declarou Luis Almagro na rede social Twitter.