A China tem oito das dez cidades do mundo com mais câmaras de vigilância, mas daí a serem montadas, literalmente, à porta das pessoas imagina-se um longo caminho. Ou não.

Por causa da Covid-19, presume-se, uma vez que não há indicações oficiais sobre a matéria, a videovigilância na China chegou à porta de casa e, em alguns casos, entrou sem pedir licença.

Foi o que testemunhou uma família irlandesa, imigrante no país, que se deparou com uma câmara a ser instalada na ombreira da sua porta, em Pequim, sem qualquer justificação, no dia seguinte a terem chegado de uma viagem ao sul. Ian Lahiffe, 34 anos, contou à CNN que sabia que teriam de cumprir duas semanas de quarentena obrigatória mas que não imaginavam que a sua privacidade lhes fosse retirada.

Ter uma câmara à porta de casa é uma inacreditável corrosão da privacidade. Isto é um registo massivo de dados. E não sei quanto disto é legal", afirmou o cidadão irlandês.

De acordo com a CNN, isto estará a acontecer desde o final de fevereiro, de acordo com alguns testemunhos recolhidos pela estação norte-americana e também por queixas que circulam na rede social chinesa Weibo.

É que apesar de a população estar habituada às câmaras instaladas um pouco por todo o lado no espaço público, é mais difícil entender uma câmara à porta de casa. Segundo a televisão estatal chinesa, a CCTV, citada pela CNN, mais de 20 milhões de câmaras foram instaladas, desde 2017, pelo país.

Mas o número será superior, estima a empresa tecnológica IHS Markit Technology, concretamente 349 milhões de câmaras instaladas desde 2018, ou seja, cinco vezes mais o número de câmaras existentes nos Estados Unidos, sublinhou.

Apenas Londres, no Reino Unido, no sexto lugar, e Atlanta, nos EUA, no 10.º posto, surgem na lista das dez cidades mais vigiadas do mundo. As restantes são chinesas, sendo que a capital, Pequim, é a nona menos vigiada. Por ordem de maior número de câmaras estão: Chongqing, Shenzhen, Xangai, Tianjin, Ji'nan, Wuhan e Guangzhou.

A CNN questionou as autoridades chinesas mas não obteve resposta.

Catarina Machado