Desde o início da pandemia de covid-19 que a questão das potenciais reinfeções tem estado bem presente. Embora tenha havido um grande debate sobre a fiabilidade na imunidade de grupo através da infeção natural, os coronavírus humanos adaptam-se demasiado bem para subverter esta imunidade, explica um estudo publicado na revista científica Lancet.

Facto é que a reinfeção ocorre nos coronavírus sazonais que provocam a constipação comum, por exemplo, devido à "imunidade efémera" que é pouco protetora entre as infeções.

Eis seis factos sobre o assunto:

Risco de reinfeção é incerto

A reinfeção pelo novo coronavírus é possível e já foi comprovada cientificamente. No entanto, o risco de reinfeção ainda é incerto.

Os investigadores Daniel Altmann e Rosemary Boyton, da Imperial College de Londres, ressalvam que, apesar dos avanços na recolha de dados e análises à covid-19, o cálculo do risco de reinfeção ainda é algo bastante complexo.

Segundo o artigo na Lancet, a maioria dos indivíduos infetados durante a primeira onda da pandemia não foi diagnosticada com o teste molecular (PCR) ou serológico. No geral, a maior parte das pessoas também não foi internada ou tratada em hospitais, o que abre uma lacuna nos registos dos bancos de dados.

Outra dificuldade apontada pelos investigadores é a exigência das revistas científicas de evidências específicas para relatos formais de reinfeção, levando a uma provável subnotificação.

Sintomas podem ser mais fortes na reinfeção

Um estudo conduzido por investigadores da Fundação Oswaldo Cruz, no Brasil, mostra ainda que a segunda infeção por covid-19 pode provocar sintomas mais fortes que a primeira. Os cientistas acompanharam semanalmente um grupo de 30 pessoas, entre março e dezembro de 2020, verificando, independente de quaisquer sintomas, a presença do SARS-CoV-2 por diagnóstico molecular.

Do grupo analisado, quatro participantes testaram positivo, apresentando sintomas ligeiros na primeira infeção. Na segunda, os sintomas foram mais frequentes e mais fortes, incluindo febre e tosse, junto com fadiga, dor de cabeça, dor no corpo, perda do olfato e do paladar. Apesar disso, nenhum participante foi hospitalizado.

O estudo mostrou também que pessoas infetadas pela primeira vez com sintomas ligeiros ou nenhum sintoma podem não produzir uma resposta imunológica específica, ficando suscetíveis a uma segunda infeção.

Quanto tempo duram os anticorpos contra a covid-19?

Ainda não há um consenso sobre a duração e a eficácia dos anticorpos produzidos pelo organismo contra o SARS-CoV-2. Outro estudo publicado na Lancet, em março, trouxe novas evidências de que a duração pode variar de uma pessoa para outra. A pesquisa indica que o ritmo de diminuição dos anticorpos pode variar de poucos dias a até nove meses.

Quantas vezes uma pessoa pode se reinfetar?

Esta é uma questão ainda em investigação. Segundo o infecciologista Rodrigo Molina, em entrevista à CNN, os dados mostram, até o momento, que as pessoas têm sido infetadas apenas duas vezes.

O especialista acrescenta que, pelo tempo de duração da pandemia, ainda serão necessários estudos mais longos que permitam responder se uma pessoa poderá ser infetada mais de duas vezes, como acontece com o vírus da gripe, por exemplo.

Reinfeção pode ser mais comum em idosos

Um estudo do Instituto Statens Serum, na Dinamarca, publicado na revista científica Lancet, em março, apontou que as reinfeções por covid-19 são relativamente raras e podem ser mais comuns em pessoas com mais de 65 anos. Os investigadores observaram, ainda, que a maioria das pessoas que teve covid-19 parecia ter proteção contra reinfeção durante seis meses.

Para chegar a esta conclusão, os autores do estudo realizaram a análise das taxas de reinfeção a partir dos testes de diagnósticos de cerca de quatro milhões de pessoas do país escandinavo. Compararam os resultados de setembro a dezembro de 2020 com os testes feitos entre março e maio do mesmo ano. A investigação revelou que, das 11.068 pessoas com teste positivo durante a primeira onda de infeções, apenas 72 testaram positivo novamente na segunda alta dos casos.

Contágio não garante aos jovens imunidade em relação à reinfeção

O contágio do novo coronavírus oferece alguma proteção à população jovem, mas não garante completa imunidade contra uma reinfeção, segundo um estudo publicado na quinta-feira na revista científica.

A investigação, com base em dados de mais de três mil elementos saudáveis dos Marines norte-americanos, a maioria dos quais homens entre os 18 e os 20 anos,concluiu que, ainda que se desenvolvam anticorpos após a recuperação da covid-19, é conveniente receber a vacina de modo a estimular a resposta imunitária e evitar reinfeções.

O infecciologista Rodrigo Molina frisa ainda que as medidas de prevenção devem ser as mesmas tanto para quem já teve covid-19, como para quem ainda não foi infetado pelo vírus. O especialista recomenda a intensificação dos cuidados, chamando atenção especialmente para a necessidade de lavar regularmente as mãos com água e sabão, utilizar máscaras de forma correta em ambientes públicos e evitar aglomerações.

Rafaela Laja