A Dinamarca removeu esta quarta-feira o fármaco da Astrazeneca do plano da vacinação contra a covid-19. Mas, por trás da decisão, estão fatores que vão além da polémica relacionada com a segurança da vacina.

O governo dinamarquês começou por esclarecer que a "possível ligação" entre casos muito raros de coágulos sanguíneos e a vacina da AstraZeneca não esteve na base da decisão. O facto da epidemia de covid-19 estar atualmente sob controlo na Dinamarca e haver outras vacinas contra a covid-19 disponíveis, foi fundamental na decisão da Autoridade de Saúde Dinamarquesa.

Mas o que significa isto? De acordo com o Ministério da Saúde, se a Dinamarca estivesse numa situação completamente diferente e a enfrentar uma terceira vaga violenta, por exemplo, com o sistema de saúde sob pressão, não hesitaria em usar esta vacina, (mesmo com os casos raros de efeitos secundários), mas não é o caso.

Líder na testagem

Na análise de testagem que é publicada pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC) todas as quintas-feiras, costuma haver sempre um caso que salta à vista, e o cenário não mudou de figura. Na Dinamarca, testa-se como nunca, ou melhor, testa-se como sempre: muito.

Num país com 5.822.763 habitantes, foram feitos 2.635.114 testes na última semana, o que equivale a pouco menos de metade da população testada numa semana, algo que se tem vindo a verificar de forma recorrente.

Ainda assim, a semana 14 foi de particular testagem, passando para 45.255 testes por 100 mil habitantes. Para que se perceba a dimensão, Portugal é dos que mais testou na referida semana, e mesmo assim ficou 13 vezes abaixo da testagem dinamarquesa.

Mas se a Dinamarca surpreende pela capacidade de testagem, será a positividade que, certamente, deixa satisfeitas as autoridades. Abaixo do 1% desde a segunda semana de janeiro, a positividade no país está em apenas 0,2% atualmente.

Números baixos

Prova que este país nórdico é um caso de sucesso no combate à covid-19 é também ter registado pouco mais de duas mil mortes desde o início da pandemia. Atualmente, a média semanal de óbitos diários é de dois. Já a média semanal de novos casos diários é de 657.

Como consequência, a Dinamarca é o segundo país com menos internados da União Europeia, com 204 doentes hospitalizados esta quarta-feira, sendo que 41 estão em Unidades de Cuidados Intensivos.

Também a taxa de mortalidade mantém-se nos 1.02%, uma das mais baixas na UE. Se compararmos, a taxa em Portugal é de 2%, enquanto que Espanha tem 2,2% e a Alemanha 2,5%.

Sucesso na vacinação

A Dinamarca atingiu recentemente o patamar do milhão de vacinados contra a covid-19, sendo que 17% da população já recebeu a primeira dose. Este "marco", assim apelidado pelo ministro da saúde dinamarquês, traduz também a importância da confiança da população nas vacinas. 

Quando se vacina em massa, é importante que haja um nível elevado de apoio e confiança nas vacinas", destacou.

Também esta semana está a ser realizado um "teste de pressão" ao sistema de vacinação do país, com 100.000 inoculações por dia.

Temos de nos certificar que estamos preparados para a vacinação em larga escala, e que os centro de vacinação têm capacidade de vacinar 100.000 em um dia. Testamos o sistema num total de 68 centros de vacinação pelo país", explicou o governo.

Resumindo

  • Pandemia está sob controlo
  • É o país que mais testa, com despistes a metade da população todas as semanas
  • Positividade dos testes é apenas 0.2%
  • É o segundo país da UE com menos internados
  • Taxa de mortalidade é das mais baixas da UE
  • 17% da população já recebeu uma dose da vacina