Julian Assange está demasiado doente para ir a tribunal, dizem os seus advogados, que pediram a um juiz de Westminster que reconsidere o local da próxima audiência, marcada para 12 de junho, e que decidirá a sua extradição para os Estados Unidos, onde é acusado de divulgar documentos militares confidenciais.

Segundo a defesa do fundador da WikiLeaks, o estado de saúde do seu cliente é tão débil que nem por videoconferência desde a prisão tem condições para prestar depoimento, o que deveria ter acontecido nesta quinta-feira.

A próxima audiência poderá, assim, ter lugar na prisão de Belmarsh, em Londres, onde Assange se encontra detido, desde que todas as partes concordem.

O fundador da WikiLeaks está detido desde 11 de abril, depois de o Equador lhe retirar o asilo, que lhe permitiu permanecer em liberdade, ainda que nas instalações da embaixada equatoriana em Londres.

Na terça-feira, Assange foi transferido para a enfermaria da prisão, na sequência de uma “dramática” perda de peso.

“A saúde de Julian Assange já se tinha deteriorado significativamente depois de sete anos na embaixada do Equador, sob condições incompatíveis com os direitos humanos básicos. Durante estas sete semanas em Belmarsh, a sua saúde continuou a deteriorar-se, tendo sofrido uma perda de peso dramática. A decisão da prisão em transferi-lo para a enfermaria fala por si”, descreveu a WikiLeaks, em comunicado divulgado.

O ativista australiano, de 47 anos, cumpre uma pena de prisão de 50 semanas (cerca de quatro anos), por ter violado as medidas de coação da liberdade condicional a que estava sujeito, em 2012, para evitar a extradição para a Suécia, onde era acusado de dois crimes sexuais.

Julian Assange refugiou-se na representação diplomática equatoriana em junho de 2012 para evitar a extradição para a Suécia, onde as autoridades investigavam alegadas práticas de crimes sexuais contra duas mulheres, em 2010. Considerando que não havia perspetivas de extraditar Assange para a Suécia num futuro próximo, os procuradores suecos acabaram por arquivar o processo em 2017

Mas o fundador da WikiLeaks temia também a extradição para os Estados Unidos, onde poderia enfrentar uma pena de prisão perpétua ou mesmo pena de morte.

Em 2010, a WikiLeaks divulgou mais de 90.000 documentos confidenciais relacionados com ações militares dos Estados Unidos no Afeganistão e cerca de 400.000 documentos secretos sobre a guerra no Iraque.

Naquele mesmo ano foram tornados públicos cerca de 250.000 telegramas diplomáticos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que embaraçou Washington.

Leia aqui a acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra Julian Assange (em inglês)