Dezenas de pessoas foram vítimas de morte súbita nos últimos dias na área de Vancouver, um pico de óbitos associado à onda de calor no Canadá, que registou na terça-feira um novo recorde de 49,5 graus.

As autoridades contaram pelo menos 145 casos de morte súbita na zona metropolitana de Vancouver, que vive uma onda de calor histórica, tal como a zona ocidental dos Estados Unidos.

Os serviços de saúde receberam 233 notificações de mortes na região entre sexta-feira e segunda-feira, contra uma média de cerca de 130 registada normalmente para o mesmo período.

"Acreditamos que o calor contribuiu para a maioria das mortes", disse também a polícia federal, acrescentando que a maior parte das vítimas eram idosos.

Pelo terceiro dia consecutivo, na localidade de Lytton, cerca de 260 quilómetros a nordeste de Vancouver, estabeleceu-se um novo recorde de calor para o Canadá (49,5 graus), de acordo com o serviço meteorológico canadiano.

Mais abaixo, pelo menos cinco pessoas morreram sob a onda de calor sem precedentes que afeta o noroeste dos Estados Unidos, onde o Serviço Meteorológico Nacional (NWS) prevê temperaturas de até 49 graus.

O alerta do NWS de “calor excessivo”, que continuará até domingo, diz respeito aos estados de Washington e Oregon, bem como ao norte e centro de Idaho.

A agência aconselha as pessoas a procurarem o ar condicionado e a manterem-se hidratadas, assim como a fazerem pausas frequentes.

Das cinco vítimas mortais, uma morreu sábado no Oregon e quatro na segunda-feira no estado de Washington, quando as temperaturas chegaram aos 43 graus e as equipas de socorro se esforçavam para atender pessoas desidratadas ou com insolações.

Na maior cidade do Oregon, Portland, foram abertos “centros de ajuda” para as pessoas que não têm ar condicionado. O calor derreteu e gretou o asfalto das ruas.

O Canadá e os Estados Unidos estão a sentir recordes históricos de temperatura, uma onde de calor de intensidade extremamente rara, que já causou o encerramento de escolas e de centros de vacinação contra a covid-19.

Os aparelhos de ar condicionado e ventiladores estão a esgotar em praticamente todas as lojas e algumas cidades abriram 'centros de arrefecimento' para a população.

A situação "perigosa e histórica, persistirá ao longo desta semana”, alertou o instituto meteorológico do país, que emitiu alertas para os estados de British Columbia, Alberta e partes de Saskatchewan, territórios do noroeste do país, e para Yukon, na fronteira com o Alasca.

No outro lado da fronteira, nos Estados Unidos, o dia de terça-feira “provavelmente ficará na história como o mais quente” de sempre em Seattle, Washington, ou na cidade de Portland, no Oregon, locais onde os máximos anteriores datam dos anos de 1940.

A vaga de calor é explicada pelos meteorologistas com um fenómeno designado por “cúpula de calor”, no qual as altas pressões retêm o ar quente da região.

A intensidade dessa “cúpula de calor” é tão grande e “tão rara estatisticamente que não acontece mais do que uma vez em poucos milhares de anos, em média”, escreveram especialistas do clima no jornal norte-americano Washington Post, lembrando, no entanto, que “a mudança climática induzida pelo homem tornou este tipo de eventos excecionais mais prováveis”.

Agência Lusa / HCL - atualizada às 15:37