A China está a usar maquetes em tamanho real de um porta-aviões dos Estados Unidos para treinar o lançamento de mísseis. A operação está a decorrer no deserto de Taklamakan, de acordo com imagens de satélite reveladas no domingo.

Outros navios de guerra norte-americanos, nomeadamente dois contratorpedeiros de mísseis guiados da classe Arleigh Burke, também estão entre os alvos.

As imagens de satélite foram tiradas em outubro pela Maxar Technologies, uma empresa norte-americana de tecnologia espacial com mais de 80 satélites em órbita, e divulgadas pelo Instituto Naval dos Estados Unidos (USNI na sigla original), uma instituição privada, sem ligação oficial à Marinha.

Nas imagens também é possível ver um sistema de carris com seis metros de largura, que servirá para simular o movimento das embarcações.

Os navios de guerra em causa fazem parte da U.S. Seventh Fleet (Sétima Frota dos Estados Unidos, na tradução literal) e estão, neste momento, situados no Pacífico ocidental, que incluem as águas em torno de Taiwan.

Questionado nesta segunda-feira, numa conferência de imprensa em Pequim, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, disse desconhecer a existência das imagens de satélite em questão.

A Bloomberg acrescenta que o local de testes, na região de Ruoqiang, não tem qualquer sistema ativo de bloqueio de satélites, naquele que será um sinal de que a China fazia mesmo questão que Washington visse o tipo de exercício militar que está a ser feito.

Aceleração mais rápida do que o previsto do programa nuclear chinês

O Pentágono estima que Pequim está a desenvolver o seu arsenal nuclear muito mais rápido do que o antecipado e que já pode, inclusive, lançar mísseis balísticos armados com ogivas nucleares a partir do mar, terra e ar.

Segundo um relatório divulgado pela Defesa norte-americana, a China está a modernizar o seu exército para “enfrentar os Estados Unidos da América” na região do Indo-Pacífico e facilitar a reunificação de Taiwan.

Pequim considera a ilha de Taiwan parte do seu território, apesar de esta funcionar como uma entidade política soberana.

Com 700 ogivas nucleares até 2027 e 1.000 até 2030, as novas projeções dos EUA mostram uma forte aceleração da capacidade atómica da China.

As tensões de um lado e do outro do Estreito aumentaram desde a eleição, em 2016, para a presidência de Taiwan de Tsai Ing-wen, membro de um partido tradicionalmente hostil a Pequim.

Recentemente, a China reforçou a sua atividade militar em torno de Taiwan e um número recorde de incursões de aviões de combate chineses foi registado em outubro na zona de identificação de defesa aérea (Adiz) de Taiwan, um perímetro que começa a 200 quilómetros da costa taiwanesa.

Veja também:

 

Catarina Machado