O parlamento britânico deu esta quarta-feira luz verde ao acordo comercial pós-brexit entre o Reino Unido e a União Europeia, tendo aprovado o acordo por 521 votos a favor, com 73 contra. 

O acordo foi, assim, aprovado por uma maioria de 448 votos dos deputados, abrindo caminho para uma saída ordenada do Reino Unido do mercado único na quinta-feira.

Após um debate de cerca de quatro horas, a Câmara dos Comuns aprovou a legislação necessária para implementar o acordo.

Ainda que os Conservadores tenham uma maioria de 78 deputados na Câmara dos Comuns, o líder dos Trabalhistas, Keir Starmer, deu instruções aos seus deputados para que apoiassem a legislação.

Já o SNP (Partido Nacional Escocês) e os Liberais Democratas tinham instruído os seus deputados para votarem em sentido contrário. Os partidos da Irlanda do Norte já tinham dado indicação de que não iriam apoiar o plano de Boris Johnson. 

A proposta de lei sobre o Futuro Relacionamento com a UE segue agora para a Câmara dos Lordes, a câmara alta do parlamento britânico, a qual deverá completar a análise até às 22:30, não se esperando qualquer obstáculo. 

A promulgação da legislação pela rainha Isabel II deverá acontecer ainda esta noite, perto da meia-noite, para que possa estar em vigor na quinta-feira às 24:00 hora de Bruxelas, 23:00 em Londres e Lisboa, quando cessa oficialmente o período de transição que se seguiu à saída do Reino Unido da UE em 31 de janeiro.

Após 10 meses de negociações, a União Europeia e o Reino Unido chegaram finalmente a um Acordo de Comércio e Cooperação em 24 de dezembro que garante o acesso mútuo dos mercados sem quotas nem taxas aduaneiras.

Sobre as pescas, o compromisso prevê um período transitório até junho de 2026, durante o qual os europeus abandonarão gradualmente 25% de suas capturas nas águas do Reino Unido, após o qual as quotas de pesca passarão a ser negociadas anualmente. 

Dado já não ser tecnicamente viável a ratificação com vista à sua entrada em vigor em 01 de janeiro de 2021, os 27 concordaram com a aplicação do novo acordo de forma provisória até ser aprovado oficialmente pelo Parlamento Europeu o mais tardar até final de fevereiro.

Bárbara Cruz / Com Lusa