Bateram as doze badaladas em Bruxelas e o ambiente em Londres é de festa. O Reino Unido saiu oficialmente da União Europeia.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson falou aos britânicos, numa mensagem gravada antecipadamente. No discurso à nação, Johnson diz esperar que a partir do dia 1 de fevereiro comece "uma nova era de cooperação" com a União Europeia.

Queremos que este seja o começo de uma nova era de cooperação amistosa entre a UE e um Reino Unido enérgico. Um Reino Unido que é simultaneamente uma grande potência europeia e verdadeiramente global no nosso alcance e ambições", salientou.

 
 

Boris Johnson quis passar a mensagem de que o país tem uma oportunidade única para se desenvolver termos económicos, mas também sociais. 

O enviado especial da TVI a Londres, João Póvoa Marinheiro, testemunhou o momento histórico em que o Reino Unido saiu da União Europeia, sublinhando que é um momento de festa depois de três anos de negociações intensas que precederam este momento de rutura com o bloco europeu.

 

A bandeira do Reino Unido foi retirada esta tarde do edifício do Conselho da União Europeia, em antecipação da hora Brexit. Por sua vez, o símbolo oficial da União Europeia, o círculo com 12 estrelas,  foi também removido da embaixada do Reino Unido em Bruxelas, deixando apenas a bandeira do “Britain’s Union Jack” a voar no mastro, no dia que marca o fim de uma Europa a 28.

O quarto ‘Brexit Day’ cria também a designação inédita de ex-Estado Membro e lança um dos maiores golpes à tentativa da Europa de forjar a unidade depois das ruínas deixadas pela Segunda Guerra Mundial.

Jeremy Corbyn usou as redes sociais para divulgar a sua opinião sobre o futuro do Reino Unido após aquela que é a mais impactante mudança geopolítica do Reino Unido desde o fim do seu império.

A posição do Reino Unido no mundo vai mudar. A questão agora é qual a direção a tomar”, diz o líder do partido trabalhista numa mensagem divulgada no Twitter esta sexta-feira.

  

Corbyn que sofreu a derrota mais pesada do seu partido nas últimas eleições legislativas no Reino Unido, sublinhou que vai fazer frente a todas as decisões do Governo, prometendo uma oposição feroz.

Esta sexta-feira marca o dia em que os britânicos viraram as costas a 47 anos de filiação na União Europeia e vão começar a traçar um caminho novo.

O ambiente em Bruxelas é sóbrio. A União Europeia vai perder 15% da sua economia, tal como a capital financeira internacional - Londres.

O correspondente da TVI em Bruxelas, Pedro Moreira, testemunhou um momento sóbrio e de tristeza, a poucos minutos das badaladas que ditaram o fim de uma União Europeia a 28.

 

O edifício da Comissão Europeia em Bruxelas, já sem a bandeira do Reino Unido, deixou uma mensagem de união com o povo da Escócia.

  

Foi a 01 de janeiro de 1973 que o Reino Unido aderiu à então Comunidade Económica Europeia, mas num referendo realizado em junho de 2016, a maioria dos britânicos preferiu sair do bloco.

O período de transição começa a contar a partir de agora e vai até 31 de dezembro de 2020, durante o qual o Reino Unido continua a respeitar as normas europeias a fazer parte do mercado único europeu.

Designado oficialmente por Período de Implementação, mantém na prática o Reino Unido dentro do mercado único, estando obrigado a respeitar as regras europeias, mas sem estar representado nas instituições de Bruxelas nem participar nas decisões.

O objetivo é evitar uma mudança repentina, dando tempo a que empresas e cidadãos se adaptem.

As negociações, oficialmente, só deverão começar em março, e os termos ficaram definidos na declaração política que acompanha o Acordo de Saída negociado pelo primeiro-ministro, Boris Johnson.

O jornalista da TVI, Filipe Caetano, comentou o dia (B)rexit, assinalando que, na sua opinião, não há razões para outros países saírem da União Europeia, defendendo que há mais países a quererem entrar do que a quererem sair. 

Filipe Caetano diz que o Reino Unido vai seguir o seu rumo e a União Europeia vai ter de aproveitar este processo para se concentrar nos desafios geopolíticos que tem em frente.

No programa "Prova dos 9" desta sexta-feira, Pedro Silva Pereira, Fernando Rosas e Paulo Rangel colocaram o Brexit como o tema em destaque.

Pedro Silva Pereira descreveu a saída do Reino Unido da União Europeia como um momento "triste e lamentável".

É a primeira vez que um país sai da União. Eu creio que isto é um revés para a União Europeia que tem de analisar o que provocou esta decisão e encontrar uma resposta", disse, sublinhando que, ao longo destes três anos de negociação do acordo de saída , foi possível que a UE pudesse falar a uma só voz na mesa das negociações.

  

Fernando Rosas concordou com Pedro Silva Pereira, mas adiantou que não tem a certeza de que as forças políticas que gerem a União Europeia tirem os devidos ensinamentos para o futuro comunitário.

O comentador destacou que o eleitorado inglês manifestou duas vezes a sua vontade de querer sair da UE. "Nas eleições é muito difícil de defender que um voto por Boris Johnson não seja também um voto por um Brexit a tempo e a horas", disse.

 

Paulo Rangel descreveu o dia em que culmina o Brexit como um dia "trágico", defendendo que o caso também vai afetar Portugal.

Portugal é um país atlântico e marítimo que também tinha no Reino Unido como seu porta-voz. Com esta mudança, vamos ter uma Europa mais franco-alemã, mais continental", defendeu.

 
  

Tem de fazer alguma coisa diferente se viajar para o Reino Unido? O que muda se viver no Reino Unido? O que muda para um britânico que vive em Portugal? A TVI criou um explicador com um conjunto de respostas às perguntas mais frequentes sobre o Brexit.

/ HCL