O primeiro-ministro da Estónia apresentou esta quarta-feira a demissão, na sequência de um caso de corrupção que voltou a surgir na agenda mediática do país, e que envolve o Partido do Centro, de Juri Ratas, num alegado esquema de corrupção.

O Ministério Público estoniano já deu início a um processo criminal na sequência do caso.

Juri Ratas apresentou a demissão ao presidente nas primeiras horas da manhã, numa notícia inicialmente avançada pelo site Postimees, com a informação a ser mais tarde confirmada pelo porta-voz, Liisi Poll, que adiantou que será o primeiro-ministro cessante a indicar o nome de um sucessor ao parlamento.

A decisão foi mais tarde confirmada pelo próprio através do Facebook.

Poliitikas tuleb keeruliste olukordade lahendamiseks teha väga raskeid valikuid. Tegin täna väärtuspõhise otsuse astuda...

Publicado por Jüri Ratas em  Terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Em causa está o empréstimo por parte do Estado à imobiliária Porto Franco. Cerca de 39 milhões de euros chegaram à empresa vindos do KredEx, entidade responsável por gerir os dinheiro público e alocá-los à economia.

Este negócio teria em vista o investimento nos negócios atingidos pela pandemia de covid-19, mas as autoridades acreditam que terá havido um esquema ilegal, sendo que já foram confirmados cinco suspeitos, entre os quais o secretário-geral do Partido do Centro, Mihhail Korb e o conselheiro do ministro das Finanças.

Quatro pessoas já foram detidas, e o Ministério Público confirmou que está em causa uma investigação por tráfico de influências, suspeitas que também recaem no próprio Partido do Centro.

Embora existissem outras formas de lidar com isto, apenas uma delas pareceu ser a correta", afirmou Juri Ratas aos meios de comunicação do país, referindo-se à demissão, mas recusando qualquer envolvimento ou conhecimento no suposto esquema de financiamento ilegal do partido.

A decisão da demissão terá sido tomada na terça-feira, depois de o partido se ter reunido para discutir as acusações de que era alvo.

Juri Ratas era primeiro-ministro desde 2016. Acabou por perder as eleições em 2019, mas formou uma coligação com partidos de esquerda e de direita, conseguindo manter-se no cargo.

As próximas eleições legislativas da Estónia estão marcadas para março de 2023. Recorde-se que a Estónia é um dos 27 estados-membros da União Europeia.

António Guimarães