Theresa May voltou a não conseguir convencer os deputados britânicos, que, pela terceira vez, chumbaram o acordo do Brexit negociado entre governo e União Europeia.

“As implicações desta decisão são graves”, disse a primeira-ministra, dirigindo-se aos deputados, depois de conhecido o desfecho da votação.

Temo que estejamos a chegar ao limite deste processo nesta Casa [Parlamento]. Esta Casa rejeitou a saída sem acordo e rejeitou o cancelamento do Brexit. Na quarta-feira, rejeitou todas as possibilidades de acordo em cima da mesa e hoje rejeitou aprovar o Acordo de Saída", lamentou.

Os deputados britânicos rejeitaram hoje pela terceira vez, agora por 58 votos, o Acordo de Saída do Reino Unido do bloco comunitário abrindo as portas a um Brexit desordenado em 12 de abril.

Na sequência da rejeição do Acordo de Saída pela Câmara dos Comuns, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, decidiu convocar um Conselho Europeu extraordinário para 10 de abril.

Os 27 tinham concordado em 21 de março com uma extensão do Artigo 50.º até 22 de maio, desde que o Acordo de Saída fosse aprovado pela Câmara dos Comuns até hoje, estipulando uma prorrogação até 12 de abril caso o texto fosse novamente chumbado.

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) vão assim reunir-se em Bruxelas a dois dias daquela que é nova data fixada para o Brexit.

O Acordo de Saída, de 585 páginas, estabelece os termos da saída do Reino Unido da UE para que se faça de forma ordenada e estabelece um quadro jurídico quando os Tratados e a legislação da UE deixarem de se aplicar ao Reino Unido.

O texto já tinha sido chumbado em 12 de março por 391 votos contra e 242 votos a favor, uma diferença de 149 votos, repetindo o chumbo de 15 de janeiro, quando o Acordo foi rejeitado por 432 votos contra e 202 a favor, uma margem histórica de 230 votos.

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