A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou, esta quarta-feira, que as evidências atuais sobre o uso de Ivermectina para tratar doentes com covid-19 são inconclusivas, recomendando que seja usada apenas em testes clínicos até existir mais informação.

Esta recomendação, que abrange pacientes com qualquer forma de covid-19, passa a estar integrada nas linhas orientadoras da OMS para o tratamento da doença, anunciou a organização em comunicado.

A Ivermectina é um antiparasita de largo espetro, incluído na lista de medicamentos da OMS para várias doenças parasitárias.

Utiliza-se no tratamento da chamada cegueira dos rios, em doenças transmitidas pelo solo e também para tratar casos de sarna.

Um grupo de trabalho foi criado devido ao aumento da atenção internacional a este medicamento como possibilidade para tratar doentes com covid-19, explicou a OMS, acrescentando tratar-se de um painel independente de peritos internacionais, que inclui “especialistas em cuidados médicos de várias especialidades e também um especialista em ética e pacientes-parceiros”.

O grupo reviu os resultados compilados de 16 ensaios clínicos, de pacientes internados e não internados (num total 2.407).

Eles determinaram que a evidência sobre se a Ivermectina reduz a mortalidade, necessidade de ventilação mecânica, necessidade de hospitalização e tempo para melhoria clínica em pacientes com covid-19 é de certeza muito baixa, devido aos fracos dados e limitações metodológicas dos ensaios disponíveis, incluindo o pequeno número de eventos”, justifica a OMS no documento.

O painel não analisou o uso da Ivermectina para prevenir covid-19, o que está fora do âmbito das atuais diretrizes.

A Associação Médica Brasileira (AMB) pediu na semana passada que seja banida a utilização de cloroquina e outros fármacos sem eficácia comprovada contra a covid-19, num posicionamento contrário ao defendido pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, Ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da covid-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida", defendeu a AMB em comunicado.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.805.004 mortes no mundo, resultantes de mais de 128,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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