Responsáveis dos governos de Espanha e de França reúnem-se esta sexta-feira por causa de um urso-pardo. O animal, uma fémea que foi introduzida nos Pirinéus pelos franceses, em outubro, já terá morto várias ovelhas em Espanha, o que está a deixar os pastores preocupados.

A ursa, que dá pelo nome de "Claverina", parece ser a responsável por todos os ataques.

Os frances reintroduziram algumas fêmeas nos Pirinéus por haver excesso de machos na região. Os animais foram libertados na região de Bearne, no sul de França, mas um exemplar terá chegado ao país vizinho.

Desde outubro foram mortas oito ovelhas em sete ataques que ocorreram em território espanhol. Uma ovelha também morreu em solo francês.

O primeiro caso terá ocorrido a 4 de outubro, quando alguns pastores da região de Navarra descobriram duas ovelhas mortas.

Os factos motivaram o governo regional de Navarra a pedir uma cimeira com o governo francês. A reunião que se realiza esta sexta-feira também deverá contar com a presença dos governos regionais da Catalunha e de Aragão.

A União de Agricultores e Pastores de Navarra (UAGN) é uma das principais vozes críticas. Para a associação, que realizou uma conferência de imprensa a 8 de maio, é “intolerável que os pastores tenham que conviver com uma ursa que foi introduzida num habitat que não é o seu”.

A UAGN critica a tomada de decisão dos franceses sem qualquer consulta aos agricultores e à população, considerando uma “humilhação e uma falta de respeito” que não se conte com o setor para decidir tais medidas.

Para salvaguardar a situação, a comunidade de Navarra instalou dispositivos eletrónicos nas ovelhas, que permitem saber onde os animais estão. Também os ursos têm chips de localização, mas os espanhóis queixam-se da demora na receção do sinal.

A diretora-geral do Meio Ambiente e Ordenamento do Território de Navarra disse à Cadena Ser que “ainda não se chegou ao ponto de colocar a hipótese de retirar os ursos do território”, deixando no entanto esta possibilidade em aberto, como último recurso.

O presidente da Fundação Urso Pardo, Guillermo Palomero, explicou à EFE que “os ursos não são mais ou menos perigosos que antes, o gado é que está mais desprotegido”.
 

/ AG