Protagonista de uma das imagens mais duras dos últimos dias em Ceuta, a jovem voluntária da Cruz Vermelha que consolou um dos mais de 8.000 migrantes que atravessaram a fronteira a nado viu-se obrigada a proteger as suas contas nas redes sociais, após uma vaga de insultos e ameaças.  

Entre as inúmeras fotografias sobre o episódio da praia de Tarajal e o conflito político entre Espanha e Marrocos, a imagem da voluntária abraçada a um homem que chorava inconsolável depois de chegar à costa de Ceuta colocou um rosto, além dos migrantes, a todos os profissionais que enfrentavam o momento de grande complexidade.

As imagens do momento rapidamente se espalharam pelas redes sociais e muitos foram os que agradeceram pessoalmente à jovem pelo gesto e pela ajuda prestada.

Por outro lado, outras pessoas aproveitaram para descarregar insultos racistas e machistas, para além de ameaças contra a voluntária que, pouco tempo de depois, viu-se forçada a proteger as suas contas de Twitter e Instagram.

"Querias ir para a cama com ele", "vais pagar caro" ou "a Europa não é uma ONG" são alguns dos comentários com que vários utilizadores respondiam à jovem que, para além de ajudar como voluntária da Cruz Vermelha, declarava no Twitter que "a ajuda humanitária não é livrar-se das pessoas: é atender às suas necessidades e muito mais nestas condições”.

A decisão de proteger as contas veio depois destes mesmos utilizadores começarem a partilhar fotos pessoais da jovem e da sua família e amigos.

Após os insultos, milhares de pessoas juntaram-se numa onda de solidariedade à jovem voluntária. Espalharam mensagens de apoio no Twitter, com a imagem do abraço com a hashtag #GraciasLuna (obrigada Luna), que se tornou viral na rede social.

Membros do governo espanhol, como as vice-presidentes Nadia Calviño e Yolanda Díaz, e várias personalidades da cultura aderiram à reação.

Rafaela Laja