O  Parlamento espanhol voltou a chumbar a investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro espanhol. A abstenção do Podemos, de Pablo Iglesias, foi decisiva.

As negociações não se revelavam fáceis, depois da primeira tentativa falhada, esta terça-feira. O PSOE voltou a esbarrar na intrasigência do Unidas Podemos, que exigia mais tempo para a negociação: "É muito difícil negociar um Governo de coligação a 48 horas da investidura e com tudo na imprensa".

O Podemos ainda tentou uma negociação em pleno Parlamento, mas o PSOE não aceitou. Pablo Iglesias aceitou abdicar da pasta do Ministério do Trabalho, mas exigia a tutela da pasta das políticas ativas de emprego. Os socialistas recusaram.

O partido socialista espanhol contou apenas com 124 votos a favor, quando precisava de pelo menos 176. Além dos deputados do PSOE, votou a favor da investidura de Pedro Sánchez o deputado do PRC, José María Mazón.

Os 155 votos contra vieram, na maioria, do lado do PP, partido ao qual se juntaram o Ciudadanos, o Vox, o Junts per Catalunya, o Navarra Suma e o Coalición Canaria.

Tinha um mandato do rei senhor Sánchez, e esse mandato acabou. O senhor não é o rei", atirou Albert Rivera, líder do Ciudadanos, durante a sessão.

A abstenção contou com 67 votos. Além do Podemos, abstiveram-se o PNV, o Compromís, o ERC e o Bildu.

Se tivesse votado a favor da investidura, o Podemos tinha garantido a vitória in extremis a Pedro Sánchez, uma vez que os seus 42 votos parlamentares seriam suficientes para chegar aos 176 necessários. Mas Pablo Iglesias mostrou-se irredutível.

Senhor Sánchez, pedia que fizesse uma reflexão: Acha que se referiu a nós com o respeito que merece um possível parceiro de governo? Creio que, pelo menos pelo apoio na moção de censura, merecíamos respeito nas suas palavras", afirmou Pablo Iglesias durante o debate.

O debate foi aceso. Sobretudo entre o PSOE e o Podemos. Pedro Sánchez admitiu querer ser primeiro-ministro, mas "não de qualquer Governo". O líder do PSOE entrou na sessão já com uma postura de derrotado.

Não se pode colocar as finanças públicas nas mãos de alguém que nunca geriu um orçamento", disse Pedro Sánchez, dirigindo-se ao Podemos.

Pedro Sánchez tem até setembro para fazer nova tentativa de investidura, antes de serem marcadas eleições antecipadas, para novembro. A decisão passará primeiro pelo rei, Felipe VI, que deverá decidir se volta a convidar o primeiro-ministro do executivo de gestão para ser candidato a ser investido novamente.