Um hospital de Chicago retirou o suporte básico de vida de um homem depois de ter pedido autorização à família errada. O Hospital Mercy West e a cidade de Chicago vão ser agora processados pelas duas famílias envolvidas neste caso. 

Tudo começou com uma identificação errada, feita pela polícia. Um homem foi encontrado, em abril, nu, debaixo de um carro, com graves lesões no rosto. Foi levado para o hospital em estado grave e inicialmente listado como "John Doe". O doente não recebeu nenhuma visita, o que levou o Hospital Mercy West a pedir ajuda às autoridades para a sua identificação.

Através de fotografias do arquivo policial, as autoridades identificaram o homem como sendo Alfonso Bennet.

As irmãs de Bennet foram chamadas ao hospital, onde lhes foi dito que irmão estava nos cuidados intensivos em estado grave. As duas mulheres expressaram sérias dúvidas de que a pessoa internada fosse, realmente, o irmão. Mas os médicos insistiram que a família não o reconhecia devido às graves lesões no rosto.

O quadro clínico do doente piorou rapidamente, o que levou o hospital a questionar a família sobre o suporte básico de vida que o mantinha vivo. As irmãs decidiram, então, desligar as máquinas.

Mas enquanto estavam a preparar o funeral do homem que pensavam ser o irmão, a família foi surpreendida pelo aparecimento de Alfonso Bennet que estava, afinal, vivo e saudável.

O homem que morreu no hospital foi depois identificado através de impressões digitais: chamava-se Elisha Brittman, tinha 69 anos.

O caso originou a abertura de uma investigação pelas autoridades de Chicago.

Anthony Guglielmi, director de comunicação da polícia de Chicago, disse à CNN que, quando os agentes chegaram ao local, a vítima tinha lesões graves no rosto que não facilitaram a sua identificação. No Twitter, o responsável acrescentou que há "detetives a olhar para todos os aspetos deste incidente".

Jessica Alvarez, outra porta-voz da polícia de Chicago, disse ao New York Post que as autoridades só usam a identificação através de impressão digital como último recurso "para proteger a identidade dos cidadãos".

Agora, o caso está em tribunal. As famílias de Alfonso Bennet e Elisha Brittman estão a processar o hospital e a cidade de Chicago, acusando-os de negligência e de lhes terem causado grande stress emocional. Cada família pede mais de 50.000 dólares (mais de 44.000 euros) de indemnização.