A Assembleia Constituinte da Venezuela, composta unicamente por simpatizantes do regime, prolongou esta quarta-feira por três anos o funcionamento de uma comissão para investigar as alegadas tentativas de golpe de Estado ocorridas este ano.

A “Comissão para a Verdade, Justiça, Paz e Tranquilidade Pública” irá também continuar a investigar casos de violência e ódio registados no país entre 1999 e 2019.

Estamos a desmantelar um golpe de Estado”, disse o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, durante a sessão de terça-feira em que foi ampliado o funcionamento daquela comissão.

Diosdado Cabello, considerado o 'número dois' do chavismo, acusou a oposição de ter tentado “de forma violenta” chegar à Presidência da República, “já que pela via eleitoral não tem conseguido”.

A 30 de abril, um grupo de militares declarou desobediência ao regime e decidiu apoiar o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, autroproclamado Presidente interino do país e já reconhecido por meia centena de países, incluindo Portugal.

Os militares apelaram, sem sucesso, à população para saírem em apoio à oposição.

A “Comissão para a Verdade, Justiça, Paz e Tranquilidade Pública” foi criada pela Assembleia Constituinte a 16 de agosto de 2017, para reduzir e superar a violência por motivos políticos, de ódio e intolerância.