Mais de 300 migrantes foram retirados do centro de acolhimento de Lampedusa entre domingo e hoje pela guarda costeira italiana, que os transferiu para outros pontos para aliviar a situação tensa que se vive na pequena ilha no sul da Itália.

Na noite de domingo, 87 dos migrantes embarcaram em barcos-patrulha da guarda costeira e foram conduzidos a Porto Empedocle, na Sicília, para posteriormente serem transportados de autocarro até a região de Abruzzo, no centro do país.

Outros 220 migrantes foram levados pela guarda costeira a Pozzallo, também na Sicília.

Com a retirada desses 307 migrantes, 1.219 pessoas ainda permanecem no centro de acolhimento de Lampedusa, cuja capacidade é de apenas 300.

O autarca de Lampedusa, Toto Martello, anunciou para hoje uma greve geral para protestar contra a falta de gestão na chegada de migrantes à ilha, que é a porta de entrada da Europa para os migrantes que partem das costas da Líbia e da Tunísia.

“Amanhã de manhã (hoje) vou convocar os representantes das associações comerciais da ilha, vamos declarar uma greve geral. Esta situação é inédita. Devemos ajudar as pessoas em perigo, mas o acolhimento humanitário precisa de regras, porque aqui, agora, quem está em perigo somos nós", disse Martello no domingo.

O autarca denunciou que “o centro de acolhimento está cheio, ultrapassando todos os limites da resistência humana”.

Nos últimos dias, a chegada de embarcações da Tunísia a Lampedusa tem sido incessante, com centenas de migrantes a bordo.

Enquanto isso, a situação no navio humanitário Sea Watch 4, que está à espera de um porto para atracar há mais de uma semana e transporta 350 migrantes, é muito tensa e todos, incluindo a tripulação, estão "exaustos", disseram hoje os Médicos Sem Fronteiras (MSF), a organização não-governamental que opera este navio com a Sea Watch.

"A tripulação e os sobreviventes a bordo do Sea Watch 4 estão completamente exaustos", disse Hannah Wallace Bowman, diretora de comunicações de MSF a bordo do navio.

O Sea Watch 4 socorreu neste fim de semana 150 migrantes que foram resgatados pelo navio Louise Michel, fretado pelo artista britânico de arte urbana Banksy, somando-se aos mais de 200 já a bordo.

De acordo com a MSF, na tarde de sábado as autoridades italianas retiraram os casos médicos mais urgentes, incluindo várias mulheres grávidas e o corpo de um migrante, mas "os 152 sobreviventes restantes que embarcaram no Sea Watch estavam fracos, tontos, hipotérmicos, desidratados e exaustos mental e fisicamente depois de dias no mar”.

“Mais de 20 pessoas sofreram queimaduras químicas causadas pela exposição à gasolina misturada com água salgada em contacto prolongado com a pele, acrescentou Hannah Wallace Bowman.

/ AM