O presidente dos Estados Unidos falou esta terça-feira pela primeira vez depois de o país ter deixado o Afeganistão ao fim de 20 anos de missão. A partir da Casa Branca, Joe Biden lembrou "a maior guerra da história" americana.

Começando por destacar o esforço humanitário, que permitiu retirar 120 mil pessoas em apenas 17 dias, Joe Biden diz que se completou uma das maiores evacuações da história, vincando que aquele número ficou duas vezes acima daquilo que tinha sido apontado como possível pelos especialisas.

Nenhuma nação alguma vez fez algo parecido na história. Só os Estados Unidos tinham a capacidade para o fazer, e fizémo-lo. O extraordinário sucesso da missão deveu-se à incrível capacidade, bravura e altruísmo dos militares dos Estados Unidos", afirmou.

Quando os talibãs tomaram conta do poder no país, os americanos identificaram cerca de cinco mil pessoas que queriam deixar o Afeganistão. Essa operação acabou por permitir a retirada de mais de 5.500 nacionais, bem como "centenas de tradutores e intérpretes afegãos".

Ainda assim, Joe Biden admitiu que ficaram para trás entre 100 a 200 americanos, ainda que muitos tenham decidido ficar, uma vez que têm dupla residência.

O ponto principal, 90% dos americanos no Afeganistão que queriam sair saíram. Para os americanos que ficaram, não existe prazo. Mantemo-nos comprometidos em retirá-los de lá", disse.

Afirmando discordar daqueles que pediam uma evacuação mais cedo, Joe Biden assume a responsabilização pela decisão, dizendo que, de outra forma, a retirada poderia não ter sido tão ordeira: "Era entre retirar ou escalara a violência".

Imaginem se começávamos as evacuações em junho ou julho, isso ia levar centenas de militares e mais de 120 mil pessoas no meio de uma guerra civil. Teria havido na mesma uma corrida ao aeroporto, uma quebra na confiança e continuaria a ser uma missão muito difícil", referiu.

“Dou-vos a minha palavra, do fundo do coração. Não tenho dúvidas que esta é a decisão certa, uma decisão sábia e a melhor decisão para a América”, realçou.

Um aviso deixado ao ISIS-K

Poucos dias antes da retirada total dos Estados Unidos, um atentado perto do aeroporto fez cerca de 170 mortos, num ataque reivindicado pelo ISIS-K. Desses, 13 eram militares norte-americanos, a maioria fuzileiros com 20 anos.

Corpos dos soldados mortos chegam aos EUA

Não esquecendo isso, Joe Biden deixou um aviso bem sério ao grupo armado do Estado Islâmico: "Ainda não acabámos com vocês".

Para esse objetivo, o presidente dos Estados Unidos pede uma estratégia "dura, sem misericórdia, precisa e eficaz".

Sobre o terrorismo em geral, e afirmando que grande parte do terror que hoje brota pelo mundo saiu do Afeganistão, Joe Biden lembra que esta é uma ameaça que continua, ainda que tenha mudado, pelo que "a estratégia dos Estados Unidos precisa de mudar também".

Os Estados Unidos terminaram na segunda-feira a sua guerra mais longa com a retirada militar do Afeganistão, país que invadiram há 20 anos, logo após terem sofrido os ataques terroristas de 11 de Setembro.

O país deixa o Afeganistão de novo nas mãos dos talibãs, cujo primeiro regime (1996-2001) tinha derrubado em dezembro de 2001, quando o grupo extremista se recusou a entregar o então líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden.

António Guimarães