O prémio Nobel da Medicina foi atribuído esta segunda-feira a três cientistas pelas suas descobertas relativas à forma como as células se adaptam às diferenças de oxigénio.

O galardão foi atribuído aos cientistas norte-americanos William Kaelin e Gregg Semenza e ao britânico Peter Ratcliffe, que dividirão igualmente o prémio de nove milhões de coroas suecas (832.523 euros).

O Comité do Nobel explicou ainda que os três cientistas conseguiram com os seus trabalhos "identificar a maquinaria molecular que regula a atividade dos genes na resposta às variações de oxigénio".

A importância fundamental do oxigénio é conhecida há séculos, mas o processo de adaptação das células às variações dos níveis de oxigénio era um mistério", acrescentou.

O trabalho destes investigadores, estabeleceu a base para entender como os níveis de oxigénio afetam o metabolismo celular e a função fisiológica, o que "abre caminho para o desenvolvimento de novas estratégias para combater a anemia, o cancro e muitas outras doenças", prossegue a explicação da do Instituto Karolinska.

William Kaelin, nascido em 1957, em Nova Iorque, é especialista em medicina interna e oncologia. O seu compatriota Gregg Semenza, igualmente nascido em Nova Iorque, em 1955, é pediatra e o britânico Peter Ratcliffe nasceu em Lacashirem, em 1954, e é perito em nefrologia.

Este é o primeiro dos Nobel a ser anunciado este ano, ao qual se segue, na terça-feira, o da Física e, na quarta-feira, o da Química.

Na quinta-feira, dia 10, serão atribuídos os Nobel da Literatura de 2018 e 2019 e na sexta-feira será conhecido o nome do novo Nobel da Paz.

O último anúncio será feito no dia 14 de outubro e determinará o vencedor do Nobel da Economia.

Este ano, serão atribuídos dois Nobel da Literatura (relativos a 2018 e 2019), depois de, no ano passado, ter sido suspenso devido a um escândalo de abusos sexuais e crimes financeiros que afetou a Academia de Estocolmo.

Os prémios Nobel nasceram da vontade do cientista e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em legar grande parte de sua fortuna a pessoas que trabalhem por “um mundo melhor”.

O prestígio internacional dos prémios Nobel deve-se, em grande parte, às quantias atribuídas, que atualmente chegam aos nove milhões de coroas suecas (mais de 830.000 euros).

Cientista português reage ao prémio

O investigador Sérgio Dias, do Instituto de Medicina Molecular, considerou hoje que o trabalho dos três cientistas distinguidos com o Nobel da Medicina permite pensar em estratégias para bloquear o mecanismo usado pelas células do cancro para se multiplicarem.

Em declarações à agência Lusa, Sérgio Dias, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (IMM) na área do cancro, disse que as descobertas dos cientistas hoje distinguidos, relativas à forma como as células se adaptam às diferenças de oxigénio, são muito importantes porque "todas as células precisam de oxigénio para sobreviver".

Este Prémio Nobel é mesmo um nobel da fisiologia, pois permite compreender como é que as células respondem aos níveis de oxigénio e, em doenças, permite perceber como a ausência de oxigénio, ou a descida dos niveis normais de oxigénio - a tal situação de hipoxia -, pode explicar o desenvolvimento e progressão de algumas doenças", afirmou.