O Prémio Nobel da Medicina de 2021 foi esta segunda-feira atribuído aos cientistas David Julius e Ardem Patapoutian, pela descoberta dos recetores da temperatura e tato. 

A nossa capacidade para sentir calor, frio e o toque é essencial para a sobrevivência e está na base da nossa interação com o mundo que nos rodeia. Na nossa vida quotidiana tomamos estas sensações como garantidas, mas como são os impulsos nervosos iniciados para que a temperatura e a pressão possam ser percebidas? Esta questão foi resolvida pelos laureados do Nobel deste ano", diz o comité do Prémio Nobel sobre a atribuição do galardão. 

David Julius nasceu em 1955 em Nova Iorque, tem um doutoramento da Universidade de Berkeley e conduziu depois investigação na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Atualmente, é professor na Universidade da Califórnia em São Francisco.

Já Ardem Patapoutian nasceu em 1967 em Beirute, no Líbano. Na juventude, mudou-se para Los Angeles, nos EUA, tendo feito um doutoramento no California Institute of Technology, em Pasadena. Desde 2000, faz investigação no Scripps Research em La Jolla, Califórnia, onde também dá aulas, sendo investigador ainda no Howard Hughes Medical Institute desde 2014.

David Julius usou capsaicina, um composto encontrado nas pimentas que as torna picantes, induzindo uma sensação de ardor, para identificar um sensor nas terminações nervosas da pele que responde ao calor. Ardem Patapoutian usou células sensíveis à pressão para descobrir uma nova classe de sensores que respondem a estímulos mecânicos na pele e nos órgãos.

Estas descobertas lançaram intensas atividades de pesquisa, levando a um rápido aumento do nosso entendimento sobre como os nossos sistemas nervosos sentem calor, frio e estímulos mecânicos. Os laureados identificaram as ligações essenciais que faltavam na complexa interação entre os nossos sentidos e o ambiente", sublinha o comunicado do comité do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia).

 

O Nobel da Medicina de 2021 foi o primeiro a ser atribuído, seguindo-se o Nobel da Física amanhã, dia 5 de outubro, o Nobel da Química no dia 6, o Nobel da Literatura no dia 7 e o Prémio Nobel da Paz no dia 8. Na segunda-feira da próxima semana, dia 11 de outubro, é atribuído o Prémio Nobel da Economia.

Os prémios Nobel nasceram da vontade do cientista e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em legar grande parte da sua fortuna a pessoas que trabalhem por “um mundo melhor”. O prestígio internacional dos prémios Nobel deve-se, em grande parte, às quantias atribuídas, que atualmente chegam aos dez milhões de coroas suecas (mais de 953.000 euros).

Bárbara Cruz