O prémio Nobel da Literatura foi entregue, nesta quinta-feira, a Abdulrazak Gurnah.

O romancista zanzibar foi distinguido pela sua "compreensão intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino dos refugiados no espaço entre culturas e continentes”.

O Nobel da Literatura é um prémio concedido anualmente, desde 1901, pela Academia Sueca a autores que fizeram notáveis contribuições ao campo da literatura, e tem um valor pecuniário superior a 900 mil euros.

No ano passado, a distinção coube à poetisa norte-americana Louise Glück.

Há mais de 30 anos que um escritor negro não era reconhecido

Abdulrazak Gurnah, que nasceu em 1948 em Zanzibar, na Tanzânia, e vive desde a adolescência no Reino Unido, é o 118.º laureado na história do Nobel da Literatura, mas há mais de três décadas que nenhum escritor africano negro era reconhecido com aquele prémio.

Anteriormente, tinha sido o escritor nigeriano Wole Soyinka, em 1986.

Perante um galardão que é "historicamente muito ocidental", como escreve a agência France Presse, a última vez que a Academia Sueca distinguiu um autor africano com o Nobel da Literatura foi em 2003, ao sul-africano J.M. Coetzee.

De toda a história do Nobel da Literatura, atribuído pela primeira vez em 1901, mais de 80% foram autores europeus ou norte-americanos, contabilizou a AFP.

Abdulrazak Gurnah, que escreve em inglês embora a sua língua nativa seja o suaíli, publicou sobretudo romance e contos, nomeadamente, "Paradise" (1994) e "Afterlives" (2020), e "tem sido amplamente reconhecido como um dos mais proeminentes escritores do pós-colonialismo".

Em Portugal, tem apenas um livro editado, “Junto ao Mar”, pela Difel, em 2003.

No entender do comité sueco, a obra literária de Abdulrazak Gurnah é um "retrato vívido e preciso de uma outra África, numa região marcada pela escravatura e por diferentes formas de repressão de vários regimes e poderes colonialistas: português, indiano, árabe, alemão e britânico".

Catarina Machado / com Lusa