O número de vítimas no ataque armado desta madrugada numa discoteca em Istambul, na Turquia, subiu para 39 mortos e 69 feridos, informa o ministro do Interior da Turquia, Suleyman Soylu. O ataque aconteceu cerca das 2:00 de domingo (hora local) na discoteca "Reina", localizada na zona de Ortakoy, na margem europeia do Bósforo, durante os festejos de Ano Novo. 

Nacionalidades das vítimas

O ministro turco do Interior, Suleyman Soylu, afirmou este domingo de manhã que há 15 ou 16 estrangeiros entre os mortos já identificados, sem dar detalhes sobre as nacionalidades, e que 69 feridos estão a ser tratados nos hospitais. O balanço anterior das autoridades turcas era de 35 mortos e 40 feridos.

Uma deputada da oposição turca, Selina Dogan, citada pelo jornal britânico The Guardian, disse que pelo menos 24 dos mortos são estrangeiros, um número acima dos 15 ou 16 citados pelo ministro turco do Interior. A deputada, que visitou os hospitais e as morgues indicou que as nacionalidades das vítimas mortais incluem sete sauditas, três iraquianos, dois libaneses, dois tunisinos, dois indianos e um do Kuwait, da Síria e de Israel. Um cidadão turco naturalizado belga que e um canadiano-iraquiano também foram mortos.

A ministra turca da Família, citada pela agência Reuters, referiu que há cidadãos da Arábia Saudita, Marrocos, Líbano e Líbia entre as vítimas mortais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel anunciou, este domingo de manhã, que uma mulher israelita foi morta no atentado de Istambul e o homólogo francês afirmou que há três cidadãos de França entre os feridos.

A agência Reuters diz ainda que pelo menos cinco dos mortos são cidadãos da Arábia Saudita e dois são libaneses. Entre as vítimas mortais está um polícia e um civil que terão sido atingidos à entrada da discoteca "Reina". Dos 69 hospitalizados, quatro estão em estado crítico.

A televisão britânica BBC diz que há vítimas do Líbano, Jordânia, França, Tunísia, Israel, Bélgica, Arábia Saudita e faz um resumo do que se sabe neste momento sobre as vítimas mortais:

- Três são da Jordânia, diz o Ministério dos Negócios Estrangeiros

- Cidadãos da Arábia Saudita entre os mortos, mas os números variam

- A família de Elias Wardini, um cidadão libanês, diz ter sido informada da sua morte. Pelo menos mais um cidadão do Líbano terá morrido

- Um franco-tunisino morreu, confirma o Ministério francês dos Negócios Estrangeiros

-  O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Tunísia escreveu no Facebook que dois tunisinos morreram. Não está claro se um deles é o franco-tunisino de dupla nacionalidade

- Uma jovem israelita de 18 anos foi morta, de acordo com o governo. Leanne Nasser estava a festejar o Ano Novo com três amigos na discoteca "Reina"

-  O Ministério belga dos Negócios Estrangeiros confirmou a morte de um cidadão turco-belga de dupla nacionalidade 

De acordo com as autoridades portuguesas, não há portugueses nem entre os mortos nem entre os feridos.

Caça ao homem

O ministro turco do Interior disse, também este domingo de manhã, que o alegado autor do ataque, que ainda não foi reivindicado, está a ser procurado pela polícia. Suleyman Soylu, sublinhou que se tratou de um acto de terrorismo e disse que a polícia estava mobilizada para localizar o responsável pelo massacre que, de acordo com os relatos, usou uma kalashnikov para disparar indiscriminadamente sobre as pessoas que se encontravam na discoteca a celebrar a chegada do Ano Novo.

“Esperamos capturá-lo rapidamente”, disse o ministro.

As primeiras informações deram conta que dois homens vestidos de Pai Natal entraram no estabelecimento, onde se encontrariam 700 a 800 pessoas, e dispararam indiscriminadamente, um pouco antes da 01:30, hora local (23:30 de sábado, em Portugal). Mais tarde, as autoridades revelaram que o ataque foi perpetrado apenas por um atirador.

O primeiro-ministro turco, Binali Yıldırım, sublinhou entretanto no Twitter que os relatos de que o atacante estava vestido de Pai Natal são falsos.

O governador de Istambul, Vasip Sahin, declarou que o atacante “disparou de forma selvagem e impiedosa sobre inocentes que celebravam o novo ano e se divertiam”.

Passava cerca de uma hora depois da meia-noite quando o homem se aproximou da discoteca e, ainda no exterior, matou um polícia e um civil, confirmou Vasip Sahin.

Ataque pretende "criar caos na Turquia"

O presidente Recep Tayyip Erdogan reagiu ao ataque, este domingo de manhã, declarando que visa “semear o caos no país”.

“Eles trabalham para destruir o moral do país e semear o caos, escolhendo civis como alvo dos seus ataques de ódio", afirmou Erdogan, num comunicado divulgado pela Presidência.

Erdogan garantiu que a Turquia está determinada a lutar contra os atentados: “Como nação, vamos combater para acabar não só com os ataques armados dos grupos de terroristas, mas também os ataques económicos, políticos e sociais.”

O proprietário da discoteca, Mehmet Kocarlan disse ao jornal turco Hurriyet que tinham sido adoptadas medidas adicionais de segurança depois de oficiais de inteligência norte-americanos terem alertado para os riscos de um atentado. De acordo com a agência de notícias local, a Anadolu, 17 mil polícias tinham sido colocados de prontidão, alguns disfarçados de Pai Natal e outros como vendedores ambulantes.

No dia 22 de dezembro, os EUA lançaram um aviso, alertando para o facto de que grupos extremistas “continuam os seus esforços agressivos para realizar ataques por toda a Turquia”, em zonas onde vivem americanos ou que são visitadas por turistas americanos, e avisava as pessoas para terem cuidado com espaços frequentados por multidões durante a época festiva.

Um vídeo capturado por câmaras de videovigilância mostra o alegado autor do ataque à discoteca turca:

As imagens transmitidas pelas televisões internacionais mostraram diversas ambulâncias, além de meios policiais, a dirigir-se para o local e vários civis a saírem da discoteca. A zona foi evacuada num perímetro de três quilómetros.

A NTV noticiou que várias das 700 a 800 pessoas que estavam na discoteca se atiraram em pânico para as águas do estreito do Bósforo, de onde tiveram de ser resgatados, fugindo do atacante, que empunhava uma arma automática.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, expressou condolências e ofereceu a ajuda dos EUA às autoridades turcas. Ned Price, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, reafirmou o apoio à Turquia, “nosso aliado na NATO”, e a determinação de Washington em “enfrentar e derrotar todas as formas de terrorismo”. 

Em 2016, morreram pelo menos 180 pessoas em ataques na Turquia levados a cabo pelo Estado Islâmico e por rebeldes curdos.

Tomásia Sousa Aline Raimundo / notícia atualizada às 19:00 de domingo