O famoso carnaval da cidade belga de Aalst foi esta quinta-feira retirado da lista de património cultural da UNESCO, devido à "recorrência de racismo e antissemitismo". A decisão foi confirmada pela organização através do site oficial.

O parecer foi emitido pelo Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Imaterial da Humanidade, que considera que a forma como se organiza aquele festival é "incompatível com os princípios fundamentais da convenção de 2003". A UNESCO refere, com especificidade, o segundo artigo do documento, que estipula o seguinte: "Será levada em consideração apenas o património cultural imaterial que seja compatível com os instrumentos internacionais de direitos humanos em vigor, assim como os requisitos de respeito mútuo entre comunidades, grupos e indivíduos".

A UNESCO rege-se pelos seus princípios fundadores de dignidade, igualdade e respeito mútuo entre todas as pessoas, e condena todas as formas de racismo, antissemitismo e xenofobia", pode ler-se na nota.

Esta decisão acontece depois de ter sido a própria organização do carnaval a pedir a renúncia a um lugar na lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO, devido à constância das queixas relacionadas com a edição deste ano.

Enfrentamos queixas grotescas e Aalst vai renunciar ao reconhecimento da UNESCO", referiu o autarca da cidade, citado pela revista Time.

Precisamente no último carnaval, o desfile apresentou algumas figuras que caricaturavam judeus. Os bonecos eram representados com narizes grandes e sentados em cima de pilhas de dinheiro.

Depois do desfile, tanto a UNESCO como a União Europeia vieram condenar aquilo que consideraram uma variante antissemita. Ao coro de críticas juntou-se a comunidade judaica.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que se soube que os Caretos de Podence, em Macedo de Cavaleiros, foram elevados a Património Cultural Imaterial da UNESCO.