Mais de 33.000 pessoas abandonaram, na última semana, o norte de Moçambique, que há três anos é palco de uma insurreição jihadista, anunciou esta terça-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com a OIM, “mais de 33.000 pessoas deslocaram-se para sul na última semana, incluindo muitos que foram obrigados a fugir devido aos mais recentes incidentes de insegurança”.

Houve um aumento de quatro vezes do número de deslocados na área, para mais de 355.000 face aos 88.000 do início deste ano”, refere uma nota divulgada esta terça-feira por esta agência das Nações Unidas, sobre a violência que tem afetado a província de Cabo Delgado.

Os relatos da violência contra civis no norte de Moçambique são profundamente perturbadores”, disse a chefe da missão da OIM em Moçambique, Laura Tomm-Bonde, acrescentando que os funcionários da agência estão a prestar assistência a milhares de famílias.

Em cooperação com o Governo de Moçambique, a OIM, enquanto parte da ONU, está a fornecer assistência humanitária imediata, mas os recursos disponíveis não cobrem as necessidades de apoio humanitário extensivo às famílias que chegam com nada depois de se deslocarem”, alertou.

A OIM registou que entre 16 de outubro e 11 de novembro, mais de 14.400 deslocados internos chegaram de barco à praia de Paquitequete, em Pemba, a capital da província de Cabo Delgado.

A agência refere que no final de outubro, 29 embarcações com deslocados internos chegaram num único dia a esta praia.

As autoridades moçambicanas têm afirmado que parte dos autores dos ataques armados em Cabo Delgado são estrangeiros que se aproveitam da porosidade das fronteiras.

Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de 1.000 a 2.000 vítimas.

No final de outubro, o primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, disse no parlamento que "as ações terroristas" já provocaram 435 mil deslocados internos.

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