Política com política se paga. Se Donald Trump assinou, apenas rodeado de homens, um decreto para reativar uma lei que impede organizações não-governamentais ligadas à saúde de investir no aborto, da Suécia chega uma imitação da sua mensagem política, mas ao contrário: só mulheres a acompanhar a vice-primeira-ministra da Suécia, a assinar um projeto de lei climática. Uma lei que serve de pretexto para uma outra mensagem.

A expressão no rosto de Isabella Lövin é, aparentemente, a zombar do episódio protagonizado pelo novo presidente dos EUA. Foi a própria que publicou no Twitter a fotografia em que aparece em primeiro plano, sentada na mesa enquanto assina o projeto de lei sob o olhar atento de sete colegas do sexo feminino. Uma delas grávida, como é bastante visível na imagem, já em final de gravidez.

O projeto de lei é sobre o clima, não fosse esta mulher também ministra da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. Mas a fotografia acaba por passar também outra mensagem política a Donald Trump, que a 23 de janeiro fez das mulheres as primeiras vítimas da sua política.

Ora, a Suécia é um país pioneiro nos direitos das mulheres, tem uma representação feminina bastante elevada em cargos de topo, incluindo no Parlamento e no governo.

O projeto climático, em si, pretende tornar o país neutro em carbono até 2045 e "marca uma nova era na política climática da Suécia", segundo a vice-primeira-ministra, que quer mostrar que "a Suécia está pronta para assumir essa liderança".

O Governo sueco tem criticado, de resto, a abordagem de Trump à política climática. Aquele que é agora o homem mais poderoso do mundo prometeu acabar com as restrições à produção de energia suja ─ como a queima de combustíveis não renováveis, de que é exemplo o carvão ─ em nome da criação de empregos.

Redação / VC