Ao longo das últimas décadas, mais de 250 mil crianças e jovens foram abusados em instituições públicas e religiosas da Nova Zelândia. Este número representa quase 40% do total das pessoas que viveram em orfanatos e casas de correção no país desde 1950.

As conclusões são de um inquérito do estado neozelandês, instaurado em 2018, depois de terem surgido relatos de várias vítimas.

O relatório fala de abusos sexuais e revela que, em algumas instituições psiquiátricas, os funcionários obrigavam mesmo os jovens a violar os colegas. As vítimas tinham maioritariamente entre 5 e 17 anos, mas há casos que envolvem bebés de 9 meses ou jovens com 20 anos de idade. Há também registo de agressões físicas, como choques elétricos nos genitais e nas pernas, e verbais, incluindo insultos racistas.

O ministro da Função Pública descreve o relatório como sendo “uma leitura difícil” e afirma que “a dor e a angústia causadas ao longo da história são indesculpáveis”.

Todas as crianças ao cuidado do estado devem estar livres de perigo, mas como provam os testemunhos, o contrário acontece muitas vezes", afirmou Chris Hipkins.

O relatório afirma que a probabilidade de crianças e jovens serem abusados em instituições de base religiosa vai de 21% até 42%.

Em qualquer análise este é um problema social sério e duradouro que tem de ser resolvido", acrescenta.

O documento revela ainda que a minoria maori foi a mais atingida por estas práticas. Milhares de pessoas pertencentes a este povo indígena protestaram, no ano passado, para exigir uma resposta ao problema, que consideram ter motivação racista. Os maori são a etnia mais desfavorecida na Nova Zelândia.

Em 2018, a primeira-ministra do país prometeu, durante a campanha eleitoral, a instauração deste inquérito. Jacinda Ardern afirmou que esta seria a forma de lidar com um “período negro”, para garantir que este tipo de abusos nunca mais seria cometido.

João Faria