Dois idosos do Sudeste mexicano que discutiram e que não se falam são os únicos que falam a língua «zoque», em perigo iminente de extinção, afirmou hoje um representante do Instituto Nacional de Línguas Indígenas, escreve a Lusa.

Fernando Nava explicou que, pelo que parece, os dois amigos que vivem no Estado Sudeste de Tabasco, tiveram uma forte discussão e já não se falam.

Os zoques são uma pequena etnia indígena mexicana, descendente dos olmecas, e encontram-se dispersos pelos Estados de Chiapas, Oaxaca e Tabasco.

Entrevistado no âmbito do Foro Universal das Culturas, que se celebra na cidade nortenha de Monterrey e onde apresentou o Catálogo Nacional das Línguas Indígenas, Nava afrima que o México conta com 364 línguas indígenas mas que mais de 20 estão em risco de desaparecer.

O representante do Instituto Nacional de Línguas Indígenas destacou que algumas das línguas em perigo são a cucapá, da Baixa Califórnia, o seri, de Sonora, o kikapu, de Coahuila, e o aguateco, de Chiapas.

Em situação mais crítica e com os dias praticamente contados encontram-se a língua cochimí-yumana e o kiliwa, ambas do Norte da Baixa Califórnia, sublinhou.

Contudo, Nava explicou que, ainda assim, «o México está entre os oito países que concentram a metade das línguas que se falam no mundo».

O Catálogo Nacional de Línguas Indígenas do Instituto Nacional de Línguas Indígenas contém uma cartografia das línguas indígenas faladas no território mexicano, que aparecem representadas em 150 mapas elaborados a partir de informação de censos realizados em 2000.

O especialista acrescentou que no mundo existem 11 famílias linguísticas indo-americanas e que cada uma delas se encontra representada no México com pelo menos uma das suas línguas, enquanto que continentes como o europeu contam «somente com cinco».
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