Os Países Baixos suspenderam as adoções internacionais após a descoberta de anos de abusos. 

Um inquérito público, pedido pelo governo holandês, nomeadamente pelo ministro da Proteção Local, Sander Dekker, depois de várias suspeitas terem chegado ao seu conhecimento, revelou décadas de práticas ilegais, nomeadamente nos anos 70 e 80, como coerção das mães biológicas, falsificação de documentos e conivência das autoridades holandesas.

A comissão de investigação às adoções internacionais focou-se, essencialmente, nas adoções de crianças do Bangladesh, Brasil, Colômbia, Indonésia e Sri Lanka, entre 1967 e 1998, mas alerta que os abusos ainda ocorrem, "até aos dias de hoje"

Sander Dekker admitiu já que o Estado falhou no acompanhamento dos processos "ao desviar o olhar dos abusos", depois de a investigação ter provado o envolvimento das autoridades holandesas, ainda que não tenha encontrado provas de suborno.

O governo não fez o que se esperava dele e deveria ter assumido um papel mais ativo na prevenção dos abusos, e essa é uma observação dolorosa. Há desculpas a pedir. E, por isso, peço desculpas aos adotados, em nome do governo", afirmou o ministro.

Uma das crianças adotadas, atualmente com 45 anos, Widya Astuti Boerma, disse à BBC que as práticas em casa aumentaram o tráfico de crianças e que o sistema atual continua a fazê-lo, uma vez que as adoções continuam a ter por base as necessidades dos pais adotivos e não das crianças órfãs. 

As adoções internacionais continuam a basear-se em incentivos monetários e isto estimula o tráfico. Continuam a focar-se nos pais que querem ter filhos, quando deveria ser ao contrário", afirmou Widya Astuti Boerma, que está à procura dos seus pais biológicos na Indonésia.

Segundo a BBC, só na Indonésia, que foi uma colónia dos Países Baixos até 1945, mais de 3.000 crianças foram adotadas por cidadãos holandeses até 1984.

 
Catarina Machado