Um atentado à bomba com um carro armadilhado matou pelo menos 90 pessoas e feriu pelo menos 400, esta quarta-feira, em Cabul, perto do Palácio Presidencial, onde se encontram várias embaixadas e edifícios do governo, segundo o Ministério da Saúde Pública do Afeganistão, citado pela Reuters.

A forte explosão aconteceu pelas 08:25 (04:55 em Lisboa), no distrito policial 10, perto da praça de Zanbaq, na área diplomática da capital, informou o porta-voz do Ministério afegão do Interior.

O ataque, que surge num momento em que a comunidade islâmica vive o início do mês do Ramadão, ocorreu em plena hora de ponta, com as ruas cheias de pessoas. As autoridades não conseguiram apurar, de imediato, qual era o alvo do ataque, frisando que entre os mortos há muitas mulheres e crianças.  

A embaixada da Alemanha era uma das mais próximas do local onde ocorreu a explosão. Vários funcionários do edifício ficaram feridos, como confirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Sigmar Gabriel. O governante adiantou ainda que as vítimas mortais são guardas, de origem afegã.

Há pessoas feridas na embaixada da Alemanha, sendo que a maioria tem ferimentos ligeiros. (...) Entre os mortos há seguranças afegãos que trabalhavam na embaixada", frisou o governante, em declarações aos jornalistas, em Berlim.

Na sequência deste ataque, Berlim decidiu suspender a deportação de afegãos com pedidos de asilo recusados. A explicação dada por um oficial é a de que os funcionários da embaixada têm neste momento "assuntos mais importantes" para tratar nos próximos dias.

Recorde-se que o governo alemão começou a deportar os afegãos com pedidos de asilo chumbados pelas autoridades, em dezembro. A medida pretende fazer face ao grande fluxo de migrantes que tem chegado ao país.

Quatro jornalistas da BBC ficaram feridos, depois de a bomba ter atingido a carrinha onde seguiam. A estação de televisão britânica confirmou, em comunicado, que o condutor do veículo, de origem afegã, morreu. 

A embaixada francesa também sofreu estragos. A ministra Marielle de Sarnez sublinhou que, até ao momento, não há informações de vítimas francesas.

Há danos materiais na embaixada de França e há também danos materiais na embaixada da Alemanha”, disse à rádio Europe 1.

Outras embaixadas, como a do Paquistão e a da Índia, também sofreram danos. Já um porta-voz da embaixada dos EUA, que se situa perto do local da atentado, afirmou que o edifício norte-americano "não parece ter sido o alvo da explosão".

Este já é o ataque mais mortífero na capital do Afeganistão desde o atentado que matou cerca de 100 pessoas no verão do ano passado, e que foi perpetrado por um jihadista do Estado Islâmico

Imagens partilhadas nas redes sociais mostram a nuvem de fumo e os estragos provocados pela explosão.

Relatos de testemunhas no local descrevem uma "enorme explosão", que "destruiu tudo".

Estava na sala da maquilhagem a preparar-me para o programa da manhã quando uma forte explosão sacudiu a sala e tudo se desmoronou. O estúdio, a redação e os escritórios... ficou tudo destruído", contou Taban Ibraz ao Washington Post

Até ao momento, o ataque ainda não foi reivindicado. Os talibãs negaram qualquer envolvimento, manifestando “condenação” pelos ataques contra a população civil.

Os mujhaedines não têm nada com a explosão” indicaram os talibãs através de um comunicado difundido pelo porta-voz Zabihulla Mujaid, que acrescenta que os elementos do grupo não estão autorizados a preparar ataques “sem objetivos” como o que se verificou hoje em Cabul.

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, já reagiu, condenando veementemente o atentado.

Os terroristas, mesmo no mês sagrado do Ramadão, no mês de deus e de oração, não param a matança do nosso povo inocente”, refere a nota emitida pelo gabinete do chefe de Estado afegão.