Os talibãs anunciaram, duas semanas depois de tomarem a cidade de Cabul, que as mulheres afegãs vão poder ter acesso à educação e trabalhar.

O grupo fundamentalista islâmico, contudo, tem algumas restrições: as mulheres podem frequentar as universidades, só não podem fazê-lo na mesma sala que homens, tal como não podem ser ensinadas por eles. O anúncio deu também conta de um novo sistema de educação, que vai funcionar sem mistura de ambientes entre os dois sexos, e seguindo as leis da sharia, lei fundamental dos países islâmicos, e que não faz separação entre o Direito e a Religião.

Este sistema de lei islâmico deriva do Corão e dos ensinamentos do profeta Maomé. É um conjunto de normas e orientações pelas quais os muçulmanos se guiam em todos os aspetos da vida. 

Em tradução literal é  "o caminho claro para a água" e inclui orações diárias, jejum e até indicações da forma como as mulheres se devem apresentar.

Enquanto o grupo que tomou a cidade de Cabul anuncia novas regras, o país vê os direitos das mulheres e das minorias serem cada vez mais restringidos. 

Abdul Baqi Haqqani, ministro interino dos talibãs para a Educação Superior, acrescentou que as alterações no ensino serão feitas para "criar um currículo islâmico razoável, que esteja em linha com os nossos valores islâmicos, nacionais e históricos e, por outro lado, que seja capaz de competir com outros países".

Estas novas medidas vão trazer restrições às mulheres, mesmo depois do grupo fundamentalista ter admitido, várias vezes, ser diferente daquele que deixou o país em 2001.

Depois disso, o governo de Ashraf Ghani  aumentou a liberdade das mulheres, incluindo para estudar e trabalhar. 

O Afeganistão tem uma grande quantidade de população jovem, 63% com menos de 25 anos, que não se lembra das leis do regime repressivo anterior e fez vários progressos em termos dos direitos humanos nas ultimas duas décadas.

Redação / IM