Um ataque fora do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, esta quinta-feira, fez pelo menos 85 mortos, entre 72 civis afegãos e 13 militares dos Estados Unidos, segundo várias fontes citadas pela Associated Press. Segundo o hospital de Cabul, há pelo menos 170 feridos.

O ataque envolveu dois bombistas suicidas e ainda homens armados que dispararam sobre a multidão que tenta fugir do país através do aeroporto.

O atentado já foi revindicado pelo Estado Islâmico. Fontes norte-americanas citadas pela Reuters tinham dado conta que o ataque teria sido executado pelo grupo ISIS-K.

Os talibãs condenaram o ataque, lembrando que ocorreu numa área controlada pelas forças militares dos EUA.

O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, disse que o seu grupo "condena veementemente" o ataque no aeroporto de Cabul, “cuja segurança está nas mãos das forças americanas”, e disse que o Emirado Islâmico está a prestar “muita atenção à segurança e proteção do seu povo”.

O porta-voz dos talibãs prometeu ainda que os autores do ataque “serão severamente dissuadidos”.

Os quatro portugueses que se encontram no aeroporto de Cabul estão bem, confirmou o ministério da Defesa à TVI.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, tinha confirmado, no Twitter, pelo menos duas explosões.

O ministro da Defesa turco, citado pela Reuters, já tinha afirmado que foram duas explosões a ocorrer em separado perto do aeroporto.

O presidente dos EUA, Joe Biden, está a acompanhar a situação, numa reunião de emergência, segundo uma fonte da Casa Branca. Uma fonte próxima disse à Reuters que o presidente norte-americano não vai adiar a data de 31 de agosto para a retirada total de Cabul.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, está “muito preocupado” com esta notícia, garantindo que a União Europeia irá acompanhar a situação de perto.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou os “ataques cobardes e desumanos” junto ao aeroporto de Cabul, que causaram vários mortos e feridos, pedindo esforços internacionais para evitar o ressurgimento do terrorismo no Afeganistão.

“Condeno veementemente os ataques cobardes e desumanos ao aeroporto de Cabul”, escreveu Ursula von der Leyen, reagindo à explosão hoje ocorrida na capital do Afeganistão, através da sua conta oficial da rede social Twitter.

Vincando ser “essencial fazer tudo o que estiver ao alcance para garantir a segurança das pessoas no aeroporto”, a líder do executivo comunitário defendeu que “a comunidade internacional deve trabalhar em estreita colaboração para evitar um ressurgimento do terrorismo no Afeganistão e não só”.

Centenas de pessoas juntaram-se nas imediações do aeroporto de Cabul desde que os talibãs assumiram o poder na cidade, para tentarem fugir do país.

Já tinha havido alertas de um possível ataque no local.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, também condenou o “ataque terrorista que matou e feriu uma série de civis" perto do aeroporto de Cabul.

Este incidente realça a volatilidade da situação no terreno, mas também reforça a nossa determinação à medida que continuamos a prestar assistência ao povo afegão", afirmou Stephane Dujarric, porta-voz das Nações Unidas, em declarações aos repórteres.

Catarina Pereira / Notícia atualizada às 08:02 de dia 27