O porta-voz dos talibãs afirmou, esta terça-feira, que o grupo islâmico vai “respeitar os direitos das mulheres” desde que estejam dentro dos “limites da lei islâmica”, prometem uma amnistia para os afegãos que colaboraram com o exército norte-americano e uma passagem segura para os civis que queiram ir para o aeroporto. No entanto, com a diminuição do contingente militar no país, multiplicam-se os relatos de maus-tratos nos diversos postos de controlo que os talibãs montaram em Cabul.

Uma mulher e o seu filho foram fotografados com vários ferimentos na zona da cabeça e do rosto após um encontro com os talibãs num dos postos de controlo. Ao que tudo indica, acabaram por ser chicoteados publicamente. 

Segundo o jornal britânico The Guardian, que cita fontes locais, o grupo islâmico estará a obrigar muitas das pessoas que tentam fugir para o aeroporto a voltar para trás. Esta informação foi corroborada por Jake Sullivan, conselheiro de Segurança da administração Biden, que revelou que o Governo norte-americano tem vindo a receber relatórios que dão conta de “números significativos de pessoas” a serem “obrigados a voltar para trás e até mesmo agredidos”. 

Sullivan garante que as autoridades americanas vão continuar a monitorizar a situação nos próximos dias de forma a garantir que os talibãs cumprem as suas promessas, mas sublinhou também a dificuldade das operações em causa.

Recorde-se que porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, garantiu que caso os talibãs falhassem a promessa de garantir passagem segura da população civil no acesso ao aeroporto de Cabul, adiantando que, caso isso não aconteça, as consequências “são todo o peso e foça dos militares dos Estados Unidos”. 

Em conferência de imprensa, o porta-voz dos talibãs, salientou que o direito ao trabalho de todas as mulheres seria mantido “dentro dos limites da lei da sharia”. No entanto, várias mulheres afegãs já expressaram a sua desconfiança para com as palavras do grupo. 

Fawzia Koofi, uma política afegã e ativista dos direitos das mulheres no país, afirmou que “na prática” o comportamento dos talibãs é “muito diferente” daquele que é veiculado nas conferências de imprensa. 

A mulher revelou que os relatos de mulheres proibidas de sair de casa sem usar burca ou escoltadas por um homem multiplicam-se a um “ritmo alarmante”.