O principal líder dos talibãs, mulah Haibatullah Akhundzada, não é visto em público há um mês, ou seja, desde que os talibãs tomaram Cabul em 15 de agosto, embora tenha feito uma declaração pública quando o novo governo foi formado na semana passada.

Também o mulah Abdul Ghani Baradar, outro dos rostos conhecidos do movimento, não é visto há já vários dias. 

Estes desaparecimentos deram origem a vários rumores sobre divisões internas no movimento, surgindo teorias de que os líderes teriam sido mortos em confrontos internos. 

No entanto, Sulail Shaheen, porta-voz dos talibãs, garantiu esta segunda-feira que essas notícias eram falsas. Sulail Shaheen divulgou fotos de uma nota manuscrita de um dos deputados de Baradar dizendo que ele estava em Kandahar e, em seguida, partilhou uma mensagem de áudio de 39 segundos alegadamente de Baradar. 

"Ele diz que essa informação é falsa e totalmente sem fundamento", disse Shaheen num mensagem no Twitter.

Os talibãs também divulgaram imagens de vídeo que supostamente mostram Baradar em reuniões na cidade de Kandahar, no sul do país. No entanto, segundo a agência Reuters e o jornal The Guardian não é possível confirmar quando é que essas imagens foram captadas.

Baradar era o chefe do gabinete político dos talibãs e liderou as negociações de Doha com o antigo governo e os Estados Unidos. Alguns esperavam que ele fosse nomeado primeiro-ministro, mas após prolongadas negociações sobre a forma do novo governo, Baradar foi nomeado vice-primeiro-ministro. A última vez que foi visto foi numa aparição fugaz num hotel de Cabul, na primeira semana de setembro.

Desde então, circulavam rumores de que partidários de Baradar teriam entrando em confronto com Sirajuddin Haqqani, chefe da rede Haqqani que fica perto da fronteira com o Paquistão e foi culpado por alguns dos piores ataques suicidas da guerra.

No entanto, os talibãs negaram repetidamente a especulação sobre divisões internas.

Baradar não era visto em público há algum tempo e não fazia parte da delegação ministerial que se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Qatar, o xeque Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, em Cabul, no domingo.

Maria João Caetano