Os Talibãs já entraram no Palácio presidencial em Cabul. Nas imagens transmitidas pela televisão Al Jazeera, é possível ver vários elementos armados dentro do edifício de onde há poucas horas fugiu o presidente afegão. 

Um porta-vos dos guerrilheiros afirmou à televisão que "a guerra acabou" e que em breve irão anunciar o tipo de regime e de governo que será instaurado no Afeganistão. Garantiu ainda a segurança de todas as missões diplomáticas. 

Não interferimos nos assuntos alheios e não permitiremos interferências nos nossos”, acrescentou. “Conseguimos o que queríamos, a liberdade do nosso país e a independência do nosso povo."

Ghani e vários dos seus colaboradores mais próximos no governo abandonaram o país quando os talibãs já cercavam Cabul e sem informar a nação ou apresentar a renúncia publica, refere a EFE.

Na sua página oficial no Facebook, Ashraf Ghani explicou, entretanto, que se deparou com uma escolha difícil: "deveria suportar enfrentar os talibãs armados que queriam entrar no palácio ou deixar o meu país querido, a que dediquei a minha vida nos últimos vinte anos". "Os Talibãs deixaram claro que estavam prontos para realizar um ataque sangrento em  Cabul". Por isso, "para evitar um derramamento de sangue, decidi ir-me embora".

O presidente implora ainda aos talibãs que governem para "todas as pessoas" e que conquistem o coração de todos, independentemente da sua etnia e estrato social.

Espera-se agora que anunciem a renomeação do país como “Emirado Islâmico do Afeganistão”.

Na capital afegã, a situação é muito tensa, com diplomatas ocidentais em retirada. Há relatos de explosões e disparos em Cabul, sobretudo na zona do aeroporto. 

Vários países, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, organizaram operações de resgate dos seus cidadãos. Os Estados Unidos vão colocar seis mil militares no terreno para garantir o repatriamento em segurança de todos os que queiram deixar o país. 

O Pentágono fala em cerca de 30 mil  pessoas a retirar do país, entre diplomatas e outros cidadãos norte-americanos ou afegãos que ajudaram os Estados Unidos e temem agora pela vida.

Portugal está disponível para receber funcionários afegãos que trabalharam com as forças armadas ocidentais em Cabul, a capital do Afeganistão. Em entrevista à TVI, o ministro da Defesa , João Gomes Cravinho, diz que já foram identificados 243 trabalhadores e suas famílias que nas próximas semanas serão distribuídos pelos países que fazem parte da NATO. No entanto, Portugal não vai enviar militares para participar no resgate destas pessoas.

Guterres pede "maior contenção" de todos

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou hoje os talibãs e todas as outras partes afegãs “à maior contenção”, algumas horas depois da entrada em Cabul dos combatentes do movimento islâmico radical.

“O secretário-geral está particularmente preocupado com o futuro das mulheres e das meninas, cujos direitos duramente adquiridos devem ser protegidos”, disse a ONU em comunicado.

O Conselho de Segurança da ONU reúne-se na segunda-feira para debater a situação no Afeganistão, indicou a organização no texto, precisando que, na reunião, com início às 10:00 de Nova Iorque (15:00 de Lisboa), António Guterres apresentará um relatório.

O líder da ONU sublinhou hoje as necessidades humanitárias do Afeganistão e apelou a todas as partes para procederem de forma a que “os trabalhadores humanitários tenham acesso sem entraves para fornecer em tempo útil uma assistência que é essencial para salvar vidas”.

Acrescentou também que as Nações Unidas continuam “determinadas a contribuir para uma solução pacífica do conflito”.

A chegada dos talibãs a Cabul aconteceu após terem tomado o controlo de 28 das 34 capitais provinciais em pouco mais de uma semana, e sem grande resistência das forças de segurança governamentais, no âmbito de uma grande ofensiva iniciada em maio – altura em que começou a retirada das tropas norte-americanas e da NATO do país, que deverá ficar concluída no final deste mês.

Um porta-voz do movimento islâmico radical, que governou no Afeganistão entre 1996 e 2001, disse hoje à BBC que os talibãs pretendem assumir o poder no Afeganistão “nos próximos dias”, através de uma “transição pacífica”, 20 anos após terem sido derrubados por uma coligação liderada pelos Estados Unidos, pela sua recusa em entregar o líder da Al-Qaida, Usama bin Laden, após os atentados de 11 de Setembro de 2001.

Maria João Caetano / (notícia atualizada às 23:00)