O secretário-geral da NATO responsabilizou “a liderança política e militar afegã” pela “tragédia” que representa o regresso dos talibãs ao poder, admitindo que a Aliança Atlântica deve retirar lições deste "colapso" após duas décadas de investimento e sacrifícios.

Numa conferência de imprensa virtual desde a sede da NATO, em Bruxelas, Jens Stoltenberg disse que os aliados “nunca tencionaram ficar no Afeganistão para sempre”, tinham noção do risco de os talibãs tentarem recuperar o poder quando as forças ocidentais deixassem o país, mas admitiu que “aquilo a que se assistiu nas últimas semanas foi um colapso militar e político que ninguém antecipava”, sobretudo pela rapidez e facilidade com que se concretizou.

“Parte das forças de segurança afegãs lutaram com bravura. Mas a liderança política afegã falhou, e este falhanço levou à tragédia a que assistimos hoje”, com os talibãs a assumirem o controlo de praticamente todo o território, incluindo a capital, Cabul, ainda antes de os Aliados terem abandonado por completo o país.

O secretário-geral da NATO admitiu que, obviamente, após duas décadas em que foram investidos “biliões de dólares” no Afeganistão, não só pela organização, “mas por toda a comunidade internacional”, com vista a capacitar as forças de segurança e as instituições, e após 20 anos de presença militar durante os quais militares da Aliança perderam a vida, “há lições a retirar” de um colapso que é, acima de tudo, “uma tragédia para os afegãos”.

Ainda assim, e à imagem das declarações do Presidente norte-americano, Joe Biden, sublinhou a importância da missão da NATO no Afeganistão, comentando que foi um sucesso na medida em que, ao longo das duas últimas décadas, “não houve nenhum atentado terrorista em solo aliado organizado a partir do Afeganistão”, como os ataques de 11 de setembro de 2001.

O secretário-geral da NATO disse que a grande prioridade da Aliança neste momento é garantir a saída segura do pessoal civil que ainda está em Cabul – designadamente cerca de 800 funcionários que permaneceram para garantir a operabilidade do aeroporto internacional da capital afegã -, assim como dos “afegãos que ajudaram” a Aliança.

Stoltenberg comentou que “os talibãs devem respeitar e facilitar a saída de todos aqueles que querem sair”, incluindo afegãos.

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